Comoção e pedidos de justiça marcam enterro de Rhuan, morto pela mãe

Menino esquartejado e degolado em Samambaia Norte foi enterrado, nesta quarta-feira (05/06/2019), em Rio Branco (AC)

atualizado 05/06/2019 18:25

Imagem cedida ao Metrópoles

O corpo do menino Rhuan Maycon da Silva Castro, de 9 anos, foi enterrado em Rio Branco, no Acre, na tarde desta quarta-feira (05/06/2019) em um clima de comoção e pedidos de justiça. Ele chegou na madrugada, em traslado feito em um voo comercial da Latam. Os gastos foram pagos pelo governo do estado.

A criança foi morta no Distrito Federal pela própria mãe, Rosana Auri da Silva Cândido, que esquartejou o garoto e o colocou em uma mala. O crime contou com a ajuda da companheira dela, Kacyla Priscyla Santiago Damasceno Pessoa. As duas permanecem presas no Presídio Feminino do Gama, a Colmeia.

Muito emocionado, o pai da criança, Maycon da Silva Castro, recebeu o corpo do filho e cobrou um julgamento rápido. Recordou-se do período em que procurou Rhuan e lamentou o fato de a mulher não ter entregue o garoto para ele cuidar. Parentes e amigos da família também se mostraram indignados com o crime brutal.

Para Maycon, a Justiça não fez nada para salvar a vida do filho. “Nós buscamos ajuda na polícia, no Conselho Tutelar, ligamos para todos os lugares possíveis”, lembrou. “Nosso advogado conseguiu um mandado, mas ninguém parecia querer ajudar a gente”, ressaltou. Pedidos de informações sobre o paradeiro da criança também foram postados na internet em março, pois o pai não conseguia saber onde estava Rhuan.

Veja:

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Assassinato

O assassinato de Rhuan ocorreu entre as 21h e as 22h do dia 31 de maio. Conforme a polícia, Rosana deu a primeira facada contra o tórax do filho enquanto ele dormia. Kacyla teria segurado a vítima e sua companheira desferiu pelo menos mais dois golpes.

Em questão de minutos, a mãe decapitou a criança, e ambas iniciaram o esquartejamento do corpo. Parte da pele do rosto foi retirada e colocada na churrasqueira, acesa pela namorada momentos antes do assassinato. O cheiro forte e o endurecimento da carne teriam demovido as duas do plano de se livrar das provas daquela maneira, e elas se voltaram ao descarte do cadáver mutilado com uso de duas mochilas escolares e uma mala.

A casa em que tudo aconteceu é grudada à residência principal do lote, bem como ao lar do vizinho, mas todos negaram ter escutado qualquer barulho durante a brutalidade. Isso porque um churrasco com música e bebidas acontecia ao lado, e os sons encobriram qualquer ruído do homicídio macabro. A fumaça das carnes sendo grelhadas na residência vizinha também apagaram os odores da tentativa frustrada de queimar a pele de Rhuan.

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Por volta das 23h, G., sobrinho da vizinha que mora em frente à cena do crime, saía da casa da tia para uma festa em uma quadra próxima e avistou Rosana deixando o lote. De acordo com ele, a mulher caminhava com uma mala grande nas mãos. Instantes depois, ela passou por uns garotos jogando queimada na rua, que a acertaram sem querer, pediram desculpas e perguntaram o que a mulher carregava. “Roupas velhas”, respondeu, então seguiu seu caminho até a QR 425, em local próximo a uma creche.

Segundo uma testemunha contou à reportagem, alguns rapazes que estariam consumindo maconha nas proximidades viram Rosana, com a mala em mãos, observando uma boca de lobo aberta na beira da pista. Eles também teriam perguntado o que havia na bolsa, e a resposta teria sido a mesma. Ela, então, teria jogado a mala no buraco e partido. Os jovens, que observavam de longe a movimentação da mulher, foram ao local assim que ela sumiu de vista. Um deles desceu na abertura, de olho em algum bem valioso talvez deixado pela mulher.

Na descrição de um dos rapazes que afirmam ter visto a cena, quando o amigo abriu a mala, a cabeça de Rhuan, com uma faca cravejada, rolou para fora – e o jovem saltou em desespero, gritando. Em estado de choque, eles acionaram a polícia.

Por volta das 2h, a corporação foi parar na casa onde Rosana, Kacyla e a filha dela dormiam. Conforme o delegado Guilherme Sousa, estava tudo preparado para uma fuga, pois havia malas prontas e documentos organizados.

O delegado adjunto da 26ª DP acredita que a outra criança tenha testemunhado todo o crime. Ela teria, contudo, fingido que estava adormecida, provavelmente por medo de se tornar vítima também. De acordo com um dos vizinhos que acompanharam as prisões das mulheres, a menina tremia e parecia fragilizada quando saiu de casa.

Veja o que Rosana disse sobre o assassinato:

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