Delegado do DF viaja ao Acre para levantar passado da mãe de Rhuan

Corpo do menino será levado a Rio Branco nesta quarta-feira (05/06/2019), onde ocorrerá o enterro. Criança foi morta pela própria mãe, que contou com a ajuda da companheira

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 04/06/2019 22:22

O delegado-chefe adjunto da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte), Guilherme Sousa Melo, viaja a Rio Branco (AC), nesta quarta-feira (05/06/2019), para investigar a vida de Rosana Auri da Silva Cândido, assassina confessa do próprio filho, Rhuan Maycon da Silva Castro, 9 anos. O crime ocorreu em Samambaia, na noite dessa sexta-feira (31/05/2019), quando ela matou a criança com a ajuda da companheira, Kacyla Priscyla Santiago Damasceno Pessoa. A viagem do delegado ocorre no mesmo dia em que será feito o translado do corpo do garoto, que será enterrado na capital do Acre.

Uma das hipóteses da Polícia Civil é que o crime tenha sido cometido por razões financeiras. O casal, Rhuan e uma menina viviam na clandestinidade havia quase cinco anos, e a pensão paga à filha de Kacyla foi suspensa no começo de maio, o que pode ter feito as mulheres considerarem uma redução de despesas. As assassinas também deram uma versão de que Rhuan foi morto porque Rosana queria se livrar de todos os vínculos com a família paterna da criança, a qual ela acusa de tê-la maltratado no passado.

Conforme outra linha de investigação, trata-se de crime com alguma motivação religiosa. Segundo a polícia, Rosana escreveu uma passagem da Bíblia em folha de caderno a cada dia de maio. Todas foram organizadas e coladas na parede da casa, no fundo de um lote no Conjunto 3 da QR 619, em Samambaia Norte, onde morou por cerca de um mês com Rhuan, Kacyla e a filha dela, de 8 anos.

Do DF ao Acre

O corpo de Rhuan será transportado de Brasília para Rio Branco, cidade natal do menino, entre a madrugada e a manhã desta quarta. No decorrer da tarde desta terça-feira (04/06/2019), o defensor público Nicolau Rolim Jorge Badra, do núcleo de plantão do DF, fez a intermediação com o Instituto Médico Legal (IML) para ter acesso à certidão de óbito e à guia de sepultamento da vítima. A ação foi coordenada com o governo do Acre, que aceitou custear o traslado para Rio Branco.

De acordo com a Defensoria Pública, houve dificuldade na parte do reconhecimento da criança, e a Secretaria de Segurança do Acre precisou encaminhar o prontuário da identidade civil do menino para que, com a digital, fosse possível fazer a identificação. A Justiça já concedeu a certidão de óbito e a guia de sepultamento ao funcionário da funerária contratada pelo governo acriano. O transporte do corpo poderá ser feito sem empecilhos. Já existe um voo comercial da companhia Latam designado para isso.

O pai de Rhuan, Maycon da Silva Castro, espera encerrar o capítulo macabro dando um sepultamento digno ao menino assassinado. “Vai vir para a terrinha dele, onde gostava”, disse, emocionado, por telefone. Desempregado, ele afirmou que, se tivesse condições, já teria vindo ao DF para liberar o corpo. “Muita gente se sensibilizou com o caso e veio atrás da gente ainda no domingo [02/06/2019 – um dia após a divulgação pela Polícia Civil]. Toda a família está esperando”, detalhou.

Para Maycon, a Justiça não fez nada para salvar a vida do filho. “Nós buscamos ajuda na polícia, no Conselho Tutelar, ligamos para todos os lugares possíveis”, lembra. “Nosso advogado conseguiu um mandado, mas ninguém parecia querer ajudar a gente”, ressaltou. Pedidos de informações sobre o paradeiro da criança também foram postados na internet em março, pois o pai não conseguia saber onde estava Rhuan.

Veja:

 

Assassinato

O assassinato de Rhuan aconteceu entre as 21h e 22h dessa sexta-feira (31/05/2019). Conforme a polícia, Rosana deu a primeira facada contra o tórax do filho enquanto ele dormia. Kacyla teria segurado a vítima enquanto sua companheira desferia pelo menos mais dois golpes.

Em questão de minutos, a mãe decapitou a criança, e ambas iniciaram o esquartejamento do corpo. Parte da pele do rosto foi retirada e colocada na churrasqueira, acesa pela namorada momentos antes do assassinato. O cheiro forte e o endurecimento da carne teriam demovido as duas do plano de se livrar das provas daquela maneira, e elas se voltaram ao descarte do cadáver mutilado com uso de duas mochilas escolares e uma mala.

A casa em que tudo aconteceu é grudada à residência principal do lote, bem como ao lar do vizinho, mas todos negaram ter escutado qualquer coisa durante a brutalidade. Isso porque um churrasco com música e bebidas acontecia ao lado, e os sons encobriram qualquer ruído do homicídio macabro. A fumaça das carnes sendo grelhadas na residência ao lado também apagaram os odores da tentativa frustrada de queimar a pele de Rhuan.

 

Por volta das 23h, G., sobrinho da vizinha que mora em frente à cena do crime, saía da casa da tia para uma festa em uma quadra próxima e avistou Rosana deixando o lote. De acordo com ele, a mulher caminhava com uma mala grande nas mãos. Instantes depois, ela ainda passou por uns garotos jogando queimada na rua, que a acertaram sem querer, pediram desculpas e perguntaram o que a mulher carregava. “Roupas velhas”, respondeu, então seguiu seu caminho até a QR 425, em local próximo a uma creche.

Segundo uma testemunha contou à reportagem, alguns rapazes que estariam consumindo maconha nas proximidades viram Rosana, com a mala em mãos, observando uma boca de lobo aberta na beira da pista. Eles também teriam perguntado o que havia na bolsa, e a resposta teria sido a mesma. Ela, então, teria jogado a mala no buraco e partido. Os jovens, que observavam de longe a movimentação da mulher, foram ao local assim que ela sumiu de vista, e um deles desceu na abertura, de olho em algum bem valioso talvez deixado pela mulher.

Na descrição de um dos rapazes que afirmam ter visto a cena, quando o amigo abriu a mala, a cabeça de Rhuan, com uma faca cravejada, rolou para fora – e o jovem saltou em desespero, gritando. Em estado de choque, eles acionaram a polícia.

Por volta das 2h, a corporação foi parar na casa onde Rosana, Kacyla e a filha dela dormiam. Conforme o delegado Guilherme Sousa, estava tudo preparado para uma fuga, pois havia malas prontas e documentos organizados.

O delegado adjunto da 26ª DP acredita que a criança tenha testemunhado todo o crime. Ela teria, contudo, fingido que estava adormecida, provavelmente por medo de se tornar vítima também. De acordo com um dos vizinhos que acompanharam as prisões das mulheres, a menina tremia e parecia fragilizada quando saiu de casa.

Veja o que Rosana disse sobre o assassinato:

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