Pai viaja ao DF para buscar filha que viu esquartejamento de Rhuan

Menina de 8 anos vivia clandestinamente com a mãe e a companheira dela, as duas autoras do crime. A criança deverá ser ouvida em um depoimento especial nesta segunda-feira (03/06/2019)

Michael Melo/Metrópoles

atualizado 02/06/2019 11:50

A menina de 8 anos que testemunhou a morte e o esquartejamento de Rhuan Maycon da Silva Castro, de 9, deve ser ouvida em um depoimento especial marcado para esta segunda-feira (03/06/2019). O pai da criança, o agente penitenciário de Rio Branco (AC) Rodrigo Oliveira, chegou a Brasília na manhã deste domingo (02/06/2019) para reencontrar a filha. Ela havia sido sequestrada pela mãe, a artesã Kacyla Priscyla Santiago Damasceno Pessoa, em dezembro de 2014.

“Já agendei a oitiva e, se houver condições de ser feita, vou designá-la para isso. O pai pode estar cansado e a criança pode não estar bem. Então, pode ser que não aconteça”, explicou o delegado-chefe adjunto da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte), Guilherme Sousa Melo, responsável pela investigação do caso. O delegado pretende viajar nesta semana ao Acre para descobrir como era a vida das crianças antes de passarem a viver clandestinamente com Kacyla e Rosana Auri da Silva Candido, mãe e assassina de Rhuan.

Já o pai do menino, Maycon Douglas Lima de Castro, revelou ao Metrópoles que não sabe como vai fazer para viajar ao DF e cuidar da liberação e sepultamento do corpo. Entre momentos de silêncio seguidos por soluços, ele contou à reportagem como a família buscou pela criança, levada pela mãe em 2015. “A gente postava no Facebook fotos, e as pessoas indicavam onde ele estava. Tentamos salvar o Rhuan”, garantiu.

Para Maycon, a Justiça não fez nada para salvar a vida do filho. “Nós buscamos ajuda na polícia, no Conselho Tutelar, ligamos para todos os lugares possíveis”, lembra. “Nosso advogado conseguiu um mandado, mas ninguém parecia querer ajudar a gente”, ressaltou. Pedidos de informações sobre o paradeiro da criança também foram postados na internet (veja galeria abaixo):

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Kacyla e Rosana passaram por audiência de custódia na manhã deste domingo. Segundo o delegado Guilherme Sousa Melo, elas permanecerão na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE) da Polícia Civil até quinta-feira (06/06/2019), quando devem ser transferidas para a Penitenciária Feminina do DF, no Gama.

Crime

Enquanto dormia, Rhuan foi morto pela mãe com ajuda da companheira dela. Ambas confessaram o crime e estão presas. De acordo com a polícia, depois de matarem Rhuan a facadas, as mulheres esquartejaram a criança e tentaram queimar partes do corpo na churrasqueira da casa onde moravam.

Houve também tentativa de se desfazerem do cadáver colocando pedaços em uma mala e duas mochilas. Os restos mortais de Rhuan foram localizados em dois endereços: no lote onde a mãe e a companheira dela moravam, na QR 619 de Samambaia (DF), e na via pública da QR 425, em frente à creche Azulão, onde Rosana largou a mala. Ela foi vista por pessoas que estavam em um campo de futebol: desconfiadas da atitude da mulher, tarde da noite, as testemunhas acionaram a polícia.

Veja imagens do local da tragédia e da apuração do homicídio:

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Ajuda

Maycon e Rosana ficaram dois anos casados. “O casamento acabou e ela ficou morando com a minha família. Eu fui embora quando descobri que ela tinha um caso com a mulher que ela conheceu na igreja, e depois causou tudo isso [o crime]”, acusou.

Sem emprego, Maycon, que mora na periferia de Rio Branco (AC), pede ajuda para conseguir dinheiro. “Quero viajar para Brasília e dar para o meu filho um enterro digno. Aqui, ele vai ser sepultado pelas pessoas que o amam. Vai ser aplaudido por ter sido nosso guerreiro”, disse. “Sobrou apenas o sorriso dele”, completou o pai, desolado.

Rosana e Kacyla estão presas. Durante interrogatório (veja vídeos abaixo), nenhuma teria demonstrado arrependimento. Elas supostamente admitiram não ter a guarda das crianças e haver fugido do Acre sem conhecimento dos pais de Rhuan e da filha de Kacyla. Viviam escondidas. Para não chamar atenção, os filhos não iam à escola havia cerca de dois anos. Após a descoberta do assassinato de Rhuan, a filha da companheira da mãe do garoto foi encaminhada a um abrigo no DF.

Veja o que a mãe, Rosana Auri da Silva Candido, disse sobre o assassinato:

 

Veja depoimento da companheira da mãe, Kacyla Priscyla Santiago Damasceno Pessoa:

 

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