DF: menina que viu garoto ser morto e esquartejado depõe à polícia

Segundo o Conselho Tutelar de Samambaia, por causa de alienação parental feita pela mãe, a criança ainda tem resistência a morar com o pai. Psicólogos trabalharão na reconstrução do vínculo dos dois

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 03/06/2019 18:15

A menina de 8 anos que presenciou o esquartejamento e a morte de Rhuan Maycon da Silva Castro, 9 anos, foi ouvida por conselheiros tutelares e por investigadores do caso na manhã desta segunda-feira (03/06/2019). A criança chegou à 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte) acompanhada pelo pai, o agente penitenciário de Rio Branco (AC) Rodrigo Oliveira.

Ele desembarcou em Brasília nesse domingo (02/06/2019), a fim de reencontrar a garota, sequestrada pela mãe, Kacyla Priscyla Santiago Damasceno, 28. A mulher confessou ter auxiliado a companheira Rosana Auri da Silva Candido, 27, a tirar a vida de Rhuan. O crime bárbaro ocorreu na última sexta-feira (31/05/2019), em Samambaia Norte. Nesta segunda, a Justiça do DF converteu em preventiva – por tempo indeterminado – a prisão das duas mulheres.

A equipe do Conselho Tutelar II de Samambaia explicou que, apesar do histórico de maus-tratos, não havia nenhuma denúncia formalizada na unidade de proteção aos direitos das crianças e adolescentes. A situação de vulnerabilidade de Rhuan tornou-se difícil de ser descoberta porque ele não frequentava a escola havia mais de dois anos.

A conselheira Cláudia Regina Carvalho conta que a menina está fisicamente bem. De acordo com o relato da criança ao Conselho Tutelar, ela viu o cadáver já dentro da mochila e, depois, Kacyla e Rosana sendo detidas por policiais civis.

Alienação parental

Ainda de acordo com Cláudia Regina, em razão do processo de alienação parental, a menina desenvolveu aversão ao pai e se recusa, neste momento, a morar com ele. “Será feito um trabalho psicológico para reconstruir o vínculo entre eles”, detalhou.

Ainda abalado, o agente penitenciário prefere não se pronunciar sobre o caso. Conforme relato dos conselheiros, a garota, de início, nem sequer queria conversar com Rodrigo. Durante todo o encontro, ela teria evitado olhá-lo no rosto. O que a fez ficar mais a vontade, de acordo com os profissionais, foi a presença de uma avó e de uma tia.

“Ela tem a figura masculina como agressora. Se refere ao irmão [Rhuan] como primo e estava ressentida. Disse que tinham desavenças, no entanto, não mencionou agressão por parte da mãe. Pelo contrário: falava dela com um grande carinho”, disse Cláudia Regina Carvalho.

Ainda nesta segunda-feira (03/06/2019), a Justiça converteu em preventiva a prisão das duas suspeitas. Sendo assim, elas ficarão detidas no Presídio Feminino do Gama, a Colmeia, até o julgamento.

Torturado e degolado

O delegado adjunto da 26ª DP (Samambaia Norte), Guilherme Sousa Melo, pretende viajar nesta semana ao Acre para descobrir como era a vida das crianças antes de passarem a viver clandestinamente com Kacyla e Rosana Auri, mãe e assassina de Rhuan.

O pai do menino, Maycon Douglas Lima de Castro, revelou ao Metrópoles que não sabe como vai fazer para viajar ao DF e cuidar da liberação e do sepultamento do corpo. Entre momentos de silêncio seguidos por soluços, ele contou à reportagem como a família buscou pela criança, levada pela mãe em 2015. “A gente postava no Facebook fotos e as pessoas indicavam onde ele estava. Tentamos salvar o Rhuan”, garantiu.

Para Maycon, a Justiça não fez nada para salvar a vida do filho. “Nós buscamos ajuda na polícia, no Conselho Tutelar, ligamos para todos os lugares possíveis”, lembra. “Nosso advogado conseguiu um mandado, mas ninguém parecia querer ajudar a gente”, ressaltou. Pedidos de informações sobre o paradeiro da criança também foram postados na internet (veja galeria abaixo):

Kacyla e Rosana passaram por audiência de custódia nesse domingo (02/05/2019). Segundo o delegado Guilherme Sousa Melo, elas permanecerão na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE) da Polícia Civil até quinta-feira (06/06/2019), quando devem ser transferidas para a Penitenciária Feminina do DF, no Gama.

Corpo em mala e mochilas

Enquanto dormia, Rhuan foi morto pela mãe com ajuda da companheira dela. Ambas confessaram o crime. De acordo com a polícia, depois de matarem Rhuan a facadas, as mulheres esquartejaram, degolaram a criança e tentaram queimar partes do corpo na churrasqueira da casa onde moravam.

Houve também tentativa de se desfazerem do cadáver colocando pedaços em uma mala e duas mochilas. Os restos mortais de Rhuan foram localizados em dois endereços: no lote onde a mãe e a companheira dela moravam, na QR 619 de Samambaia (DF), e na via pública da QR 425, em frente à creche Azulão, onde Rosana largou a mala. Ela foi vista por pessoas que estavam em um campo de futebol que, desconfiadas da atitude da mulher, tarde da noite, acionaram a polícia.

Veja imagens do local da tragédia e da apuração do homicídio:

 

Ajuda

Maycon e Rosana ficaram dois anos casados. “O casamento acabou e ela ficou morando com a minha família. Eu fui embora quando descobri que ela tinha um caso com uma mulher que ela conheceu na igreja, e depois causou tudo isso [o crime]”, disse.

Sem emprego, Maycon, que mora na periferia de Rio Branco (AC), pede ajuda para conseguir dinheiro. “Quero viajar para Brasília e dar para o meu filho um enterro digno. Aqui, ele vai ser sepultado pelas pessoas que o amam. Vai ser aplaudido por ter sido nosso guerreiro”, disse. “Sobrou apenas o sorriso dele”, completou o pai, desolado.

Rosana e Kacyla estão presas. Durante interrogatório (veja vídeos abaixo), nenhuma teria demonstrado arrependimento. Elas supostamente admitiram não ter a guarda das crianças e ter fugido do Acre sem conhecimento dos pais de Rhuan e da filha de Kacyla. Viviam escondidas. Para não chamar atenção, os filhos não iam à escola havia cerca de dois anos. Após a descoberta do assassinato de Rhuan, a filha da companheira da mãe do garoto foi encaminhada a um abrigo no DF.

Veja o que a mãe, Rosana Auri da Silva Candido, disse sobre o assassinato:

 

Veja depoimento da companheira da mãe, Kacyla Priscyla Santiago Damasceno Pessoa:

 

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