Mãe e companheira vão a júri popular pela morte do menino Rhuan

Mulheres confessaram terem matado a criança, esquartejado e tentado destruir o cadáver

atualizado 28/10/2019 20:22

Michael Melo/Metrópoles

Rosana Auri da Silva Cândido (foto em destaque, à direita), 27 anos, e Kacyla Priscyla Santiago Damasceno Pessoa (foto em destaque), 28, terão de enfrentar o júri popular no processo em que respondem pela morte, tortura, fraude processual, ocultação e destruição do cadáver do menino Rhuan Maycon da Silva Castro, 9 anos. A sentença de pronúncia foi proferida pelo juiz do Tribunal do Júri de Samambaia, na última quinta-feira (24/10/2019), mas a defesa das rés ainda pode apresentar recurso contra a decisão.

Assassinas confessas de Rhuan, as duas estão detidas na Penitenciária Feminina do Distrito Federal desde junho. O crime ocorreu em 31 de maio, em Samambaia. No entendimento do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), as denunciadas premeditaram o assassinato e planejaram como executariam a criança e destruiriam o corpo dela.

Na noite do crime, o casal esperou Rhuan dormir para cumprir o plano. Rosana, a mãe do menino, deu o primeiro golpe no peito da criança, que acordou com o ataque. Kacyla segurou o garoto para que Rosana desferisse os outros golpes. Por fim, a mãe decepou a cabeça do filho ainda vivo.

Entre as qualificadoras do homicídio apontadas pelo MPDFT estão o motivo torpe, o meio cruel e o uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A acusação aponta que Rosana e Kacyla tinham ódio da família paterna de Rhuan, que foi morto com ao menos 12 facadas e foi degolado vivo.

 

Após o assassinato, a dupla esquartejou, perfurou os olhos e dissecou a pele do rosto da criança. As mulheres também tentaram incinerar partes do corpo em uma churrasqueira, com o intuito de destruir o cadáver e dificultar o seu reconhecimento. Como o plano inicial não deu certo, elas colocaram pedaços do corpo em uma mala e duas mochilas. Rosana jogou a bagagem em um bueiro próximo à residência onde cometeu o crime. Antes que ocultasse as duas mochilas, moradores da região desconfiaram da atitude da mulher e acionaram a polícia, que prendeu as duas autoras em flagrante, em 1º de junho.

Tortura e lesão corporal

Desde 18 de dezembro de 2014, Rosana vivia com o filho de maneira clandestina. Rhuan foi retirado à força dos cuidados dos avós paternos e era procurado pela família. Até a sua morte, a criança foi submetida a intenso sofrimento físico e mental como forma de castigo pessoal. Enfrentou desprezo e privações. Foi impedido de manter contato com outras pessoas. Ele também não frequentava a escola.

 

Um ano antes do assassinato, a dupla extraiu os testículos e o pênis de Rhuan, em casa, de forma rudimentar, sem anestesia ou acompanhamento médico. Por esses crimes, elas foram denunciadas por tortura e lesão corporal gravíssima.

Procurado pelo Metrópoles, o advogado das rés, Renato Barcat, disse que o processo está em segredo de Justiça, e só irá se manifestar nos autos.

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