Bombeiros proíbem gás na Galeria dos Estados e donos de restaurantes temem fechar

Com alterações projetadas pela Novacap após a queda do viaduto, comerciantes reclamam que terão custos adicionais com obras

JP Rodrigues/MetrópolesJP Rodrigues/Metrópoles

atualizado 14/09/2019 15:58

Mais de um ano e meio após a queda do viaduto no Eixão Sul, a Galeria dos Estados segue em processo de revitalização. Com alterações projetados pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), porém, comerciantes reclamam dos custos adicionais e têm dúvidas quanto à permanência no centro comercial.

As obras na galeria, iniciadas em 11 de fevereiro, estão calculadas em R$ 4.964.221,44 e previstas para acabar em julho de 2020. Segundo a Novacap, o projeto de arquitetura do comércio foi aprovado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), no dia 20 de setembro de 2018.

Uma das exigências da corporação como medida de segurança foi a proibição do uso de gás encanado e em botijão. A decisão, no entanto, só fora apresentada aos empresários do local no início de setembro, segundo a Associação de Lojistas da Galeria dos Estados. “O que foi colocado é que, teoricamente, eles queriam que fosse substituído por fogão elétrico”, disse Laércio Moura Júnior, presidente da entidade.

Para os donos dos estabelecimentos instalados no local, o trabalho se torna inviável com a decisão. “Nós vamos fazer um ofício perguntando como vai ser essa parte do gás, considerando que no projeto não foi colocado essa questão. Estamos marcando uma reunião com a administração para viabilizarmos o melhor funcionamento para a segurança de todos”, ponderou Júnior.

Proprietário de um restaurante na galeria há 23 anos, o casal Zelma Soares, 38, e Raylon Santana, 38, não tem alternativa para substituir o gás. “Fica inviável cozinhar fora, é uma situação muito desmotivadora. Eles têm de olhar o lado de quem está lá também, quem já tem restaurante há anos”, disse a empresária.

“Vamos ter que começar do zero, colocar piso, pintar. Eles fizeram a reforma e desfizeram todas as lojas. Já é um gasto excessivo e, nessa atual crise, não temos como alugar outro espaço para cozinhar”, lamentou.

Baixo movimento

Devido ao pouco movimento de clientes no centro comercial, trabalhadores de restaurantes e lanchonetes fecham as lojas por volta das 17h. Fábio Seixas, 35, tem um estabelecimento há 14 anos na Galeria dos Estados. Ao Metrópoles, calculou prejuízo de mais de R$ 5 mil após o início da reforma.

“A gente tinha duas lojas e servíamos almoço, mas, agora, não tem como fazer tudo elétrico. Tivemos que mandar três funcionários embora e só estamos com essa [loja]”, comentou.

Há quase 40 anos trabalhando no local, Marizete Barbosa, 67, diz que a decisão quanto ao gás de cozinha não foi informada com antecedência. “Temos várias sugestões, mas temos que ver se vão acatar. Pensamos em nos unir, nós da alimentação, e tentar fazer uma central pequena de gás, do lado de fora. Vamos correr atrás”, afirmou.

Rosângela Vieira (foto em destaque), 52, tinha duas lanchonetes antes do início das obras. Atualmente, mantém apenas uma e procura por alternativas para manter a cozinha no local. Segundo a empresária, a informação que os lojistas receberam antes da reforma foi que os estabelecimentos do ramo alimentício seriam realocados para ficarem próximos e teriam uma central de gás.

“O que foi nos passado é que iriam fazer uma central e seríamos colocados nas pontas, para ser tipo uma praça de alimentação. Mas, na semana passada, falaram que não irá mais ter essa tubulação”, disse.

O que diz a Administração

Procurada pelo Metrópoles, a Administração do Plano Piloto informou que os lojistas sempre tiveram acesso à informação que proíbe o gás de cozinha na galeria, “pois isso é norma de segurança”. “De acordo com a NBR nº 13.523/2008, é proibida a instalação de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) em locais confinados”, disse o órgão por meio de nota.

Questionada sobre como comerciantes tiveram gás encanado e em botijão durante anos mesmo com a norma proibitiva, a administração ressaltou que o órgão não pode responder por governos anteriores, uma vez que a mudança nas instalações é de responsabilidade da gestão atual.

“O projeto começou a ser elaborado pela antiga Diretoria de Obras Especiais, em governos anteriores. Houve diversas reuniões com os lojistas. A Novacap, ao finalizar o projeto e juntamente com o CBMDF, apresentou a proposta a eles”, informou.

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