Após 483 dias, viaduto do Eixão é liberado parcialmente
Estrutura desabou em 6 de fevereiro de 2018, por falta de manutenção. Parte inferior, no entanto, permanece fechada para o trânsito de veículos e, segundo previsões, deve ser desobstruída até o fim deste mês
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- Foto: André Borges/Especial para o Metrópoles
A pista superior do viaduto da Galeria dos Estados foi liberada no começo da tarde desta terça-feira (04/06/2019). O elevado estava interditado desde o desabamento parcial da estrutura, ocorrido em 6 de fevereiro de 2018.
Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), a reconstrução custou R$ 12.793.816,72 aos cofres públicos. O trecho inferior permanece fechado para o trânsito de veículos.
Veja o momento em que o trânsito é liberado:
A reforma foi conduzida por consórcio administrado pela empresa Via Engenharia. Segundo o GDF, a liberação vai beneficiar cerca de 120 mil motoristas que passam diariamente pela região. “O desabamento desse viaduto é aquilo que venho afirmando e volto a afirmar: Brasília estava abandonada”, disparou o governador Ibaneis Rocha (MDB), em clara crítica ao seu antecessor, Rodrigo Rollemberg (PSB).
No entendimento do emedebista, o Executivo local precisa dar mais atenção às pequenas obras, a fim de evitar grandes tragédias.
De acordo com o diretor-geral do DER, Fauzi Nacfur, a atual gestão recebeu a estrutura com apenas 20% de conclusão. Para acelerar a reinauguração, o governo mobilizou três equipes de trabalhadores.
Enchentes em Vicente Pires
No mesmo evento, o titular do Palácio do Buriti falou das enchentes que afligem moradores da capital do país, sobretudo a população de Vicente Pires. Para ele, os transtornos são consequência da falta de manutenção da rede de captação das águas pluviais. “A população quer soluções e esse é o nosso compromisso”, disse Ibaneis.
Sucessivas promessas
Até a reinauguração do viaduto, o Governo do Distrito Federal (GDF) apresentou sucessivas mudanças na previsão de entrega da pista. Após a demora para licitação no governo anterior, a Via Engenharia iniciou a recuperação em outubro de 2018. No entanto, o detalhamento do projeto demorou a ser concluído, e as obras só começaram em novembro.
Por meio da assessoria de imprensa, a Via Engenharia disse que mantém a orientação do cliente de concentrar nele todas as informações referentes ao contrato.
Veja imagens da queda do elevado:
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Viaduto desabou no dia 6 de fevereiro de 2018
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Não houve vítimas, apenas danos materiais
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Carros foram esmagados pela gigantesca estrutura
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Donos dos veículos ficaram no prejuízo
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A área foi imediatamente isolada, devido ao risco de novo desabamento
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Ligação é uma das mais importantes da cidade
Arquivo cedido ao Metrópoles
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Curiosos observam o cenário do desabamento
Arquivo cedido ao Metrópoles
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Queda deixou cratera na pista
Divulgação/PMDF
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Em visita ao local do desabamento, o então governador, Rodrigo Rollemberg (PSB), recebeu vaias
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Do alto, a dimensão do incidente
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Trânsito foi desviado na região
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CBMDF e Defesa Civil avaliaram bases de sustentação
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Cães farejadores auxiliaram na busca de possíveis vítimas, mas ninguém foi atingido
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Não houve feridos no desabamento
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Parte do viaduto danificado
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Vistoria
Em 6 de maio, o procurador distrital dos Direitos do Cidadão José Eduardo Sabo vistoriou o local. A queda do viaduto gerou preocupação e alerta no Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) sobre a necessidade de manutenção dos equipamentos públicos. “Existem obras que devem ser recuperadas ou reconstruídas de forma urgente pelo GDF para garantir a segurança da população que transita por elas diariamente”, comentou Sabo.
Investigação
Após parte do elevado ir ao chão, o MPDFT instaurou procedimentos investigatórios e de acompanhamento da situação de pontes e viadutos. Os processos seguem em aberto.
Na Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep), tramita uma investigação que apura possível responsabilização dos gestores pela queda, em parceria com a Polícia Civil. Existe também um procedimento administrativo na mesma divisão para o acompanhamento da política pública de manutenção do Distrito Federal.
Na Procuradoria Distrital dos Direitos do Cidadão (PDDC), há uma apuração administrativa que trata a questão de maneira mais ampla no DF, pois visa acompanhar a recuperação da área afetada e outras estruturas da capital da República.