Devido às chuvas, prazo para concluir viaduto no Eixão Sul é adiado

Ideia era liberar parte da estrutura no domingo, 21 de abril, aniversário de Brasília, mas reabertura só deve ocorrer no fim do semestre

Igo Estrela/Metrópoles

atualizado 17/04/2019 20:19

As obras de reconstrução do viaduto que caiu em fevereiro de 2018 sobre a Galeria dos Estados, no Eixão Sul, não serão concluídas a tempo do aniversário de Brasília, no próximo domingo (21/04/2019), como previsto pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF). Diretor-geral da autarquia, Fauzi Nacfur explicou que o grande volume de chuvas nas últimas semanas é o motivo do adiamento.

“Realmente, por causa das chuvas, não será possível liberar a passagem de veículos no Eixão já no dia 21 de abril”, afirmou ao Metrópoles. Em nota, a assessoria de imprensa do DER-DF disse que 55% dos serviços foram executados e os trabalhos seguem em dois turnos, com 110 operários – 70 durante o dia e 40 à noite.

Segundo o órgão, a previsão é terminar as intervenções no viaduto e liberá-lo para trânsito até o fim do primeiro semestre de 2019.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou, em março, 265,8 mm de chuva, quantidade superior à média histórica do mês, de 211,8 mm, de acordo com o meteorologista Manoel Rangel. Nos primeiros 15 dias de abril, caíram 226,7 mm de água, volume maior do que o esperado para todo o mês, que tem média de 133,4 mm.

Histórico
Após a demora para licitação no governo anterior, a Via Engenharia iniciou a recuperação em outubro de 2018. No entanto, o detalhamento do projeto demorou a ser concluído, e as obras só começaram a andar em novembro.

A entrega da pista do Eixão Sul estava prevista para 21 de abril; e a da parte inferior da estrutura, incluindo o asfalto e calçadas, por exemplo, para junho. A obra está orçada em R$ 10 milhões.

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Galeria dos Estados
Além do viaduto, a Galeria dos Estados passa por obras. A Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) esclareceu, em nota conjunta com o DER-DF, que a reforma foi contratada em fevereiro deste ano e tem previsão de ficar pronta em abril de 2020.

O investimento é de R$ 4.078.052,24, valor 15% menor do que o estimado inicialmente, segundo a companhia. O órgão frisou que não haverá alteração no layout das lojas nem estão previstas reformas internas delas.

“A obra inclui a revitalização da galeria, com a recuperação e a manutenção corretiva dos viadutos dos eixos W e L, substituição das instalações elétricas e hidráulicas, além da implementação da acessibilidade nas entradas leste e oeste da galeria”, detalharam Novacap e DER-DF.

De acordo com o cronograma de obras, serão seis meses de intervenções no lado sul da galeria e outros seis meses no lado norte. O prazo se inicia após a desocupação das lojas existentes no local.

A Secretaria Executiva das Cidades esclareceu que foi publicada, no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) de 1º de abril, a Ordem de Serviço Conjunta nº 05, de 28 de março de 2019, que estipula o remanejamento temporário de permissionários durante as obras de recomposição do viaduto e reforma da Galeria do Estados.

Queda do viaduto
Por volta das 11h50 do dia 6 de fevereiro de 2018, o viaduto sobre a Galeria dos Estados desabou. A estrutura caiu sobre quatro carros e um restaurante, mas não houve feridos. Um laudo pericial elaborado pelo Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), ao qual o Metrópoles teve acesso, confirmou que há tempos o elevado pedia reparos.

Os peritos da Seção de Engenharia Legal e Meio Ambiente (Selma) estiveram nas ruínas e produziram parecer com 22 páginas exibindo as causas do desabamento. Vários outros documentos mostram que o incidente foi uma tragédia anunciada. Órgãos de controle e entidades ligadas à construção civil alertam, desde 2006, o Governo do Distrito Federal (GDF) acerca da necessidade de uma atenção maior aos acessos da cidade.

Há 12 anos, a Universidade de Brasília (UnB) divulgou estudo avisando sobre a situação precária de pontes e viadutos do DF. Em 2009, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) publicou documento com avaliações semelhantes. Em 2011, foi a vez de o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) apontar falhas na construção.

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