Aulas práticas de gastronomia são suspensas por falta de panelas e alimentos

Na Escola de Sabores Oscar, instituição pública do DF, escassez de materiais compromete aulas práticas de cursos técnicos

atualizado

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Escola dos Sabores
1 de 1 Escola dos Sabores - Foto: LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

Aprender a cozinhar sem colocar a mão na massa parece contraditório, mas é essa a realidade enfrentada por alunos do Centro de Educação Profissional Escola de Sabores Oscar, na 907 Sul. Procurada por quem quer empreender, mudar de carreira ou aumentar a renda, a formação esbarra em um problema básico: a falta de insumos que impede justamente o principal da culinária: a prática.

A escola, que integra a rede pública do Distrito Federal, oferece cursos com carga horária de até 800 horas, como técnico em gastronomia, técnico em confeitaria e qualificação profissional em masseiro. Segundo os alunos, todos estão afetados pela falta de estrutura, em todos os turnos — manhã, tarde e noite —, com a suspensão das aulas práticas desde fevereiro.

Localizada na SGAS 907, a Escola de Sabores Oscar faz parte da modalidade de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) e divide espaço com o Centro Integrado de Educação Física (CIEF) e a Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (EAPE). Apesar da proposta voltada à prática, alunos relatam que tiveram apenas três aulas em laboratório ao longo de meses.

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Cursos de até 800 horas têm rotina travada por falta de laboratório em escola pública de gastronomia
Mesmo com estrutura para prática, escola do DF mantém cursos técnicos quase só na teoria, dizem estudantes
Apenas três aulas práticas em meses: alunos relatam formação comprometida em escola técnica do DF
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Apenas três aulas práticas em meses: alunos relatam formação comprometida em escola técnica do DF

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Cursos de até 800 horas têm rotina travada por falta de laboratório em escola pública de gastronomia
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Cursos de até 800 horas têm rotina travada por falta de laboratório em escola pública de gastronomia

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Mesmo com estrutura para prática, escola do DF mantém cursos técnicos quase só na teoria, dizem estudantes
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Mesmo com estrutura para prática, escola do DF mantém cursos técnicos quase só na teoria, dizem estudantes

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Cozinha improvisada

Francisca Rodrigues, 62 anos, aposentada, procurou o curso para ampliar a renda. Ela já vende doces e queria dar um passo além, passando a oferecer marmitas. “Estamos acabando o semestre e praticamente não tivemos aula prática. Segundo ela, itens básicos — como panelas, colheres, pratos, frigideiras e talheres — estão em falta, e nos laboratórios há apenas fogão, forno e batedeira.

“A improvisação virou rotina. Já usei saco plástico para pesar alimentos, porque não tinha material adequado. E copos descartáveis para medir ingredientes”, conta Francisca. 

Para ela, a falta de prática compromete diretamente seu objetivo. “Como vou sair formada sem saber executar as técnicas? Se pedirem para desossar um frango, eu não vou saber”, afirma.

Eliomar Alencar, 48 anos, professora, também aponta que a escassez de materiais vai além da falta de insumos e atinge questões de higiene e organização. “Tem um rolo para dividir entre duas turmas. Não temos tábuas nem bowls suficientes. Isso compromete a segurança alimentar. Mas a gente é obrigada a fazer mesmo sabendo que é errado”, afirma.

Helane Araújo, 42 anos, administradora, já ensina receitas nas redes sociais e entrou no curso com o objetivo de profissionalizar o conteúdo e futuramente vender cursos sobre preparo de refeições que rendam a semana inteira. No entanto, afirma que a realidade em sala de aula está distante do esperado. “A gente aprende a teoria, mas não pratica. Já tivemos praticamente todo o conteúdo teórico. Agora, os professores precisam passar vídeo, filme, fazer cartaz… não substitui a prática”, relata.

Diante da situação, os alunos chegaram a paralisar as atividades por uma semana, entre os dias 13 e 17 de abril, na tentativa de chamar a atenção da direção para o problema. Segundo eles, no entanto, a mobilização não trouxe solução concreta.

Apesar das críticas, os estudantes destacam a qualidade do corpo docente. “Os professores são muito bons, sabem o que estão ensinando. O problema é que falta estrutura para colocar isso em prática”, resume Helane.

As inscrições para os cursos são abertas duas vezes ao ano, por meio do site da Secretaria de Educação do DF, com seleção por sorteio.

O que diz a pasta

Procurada, a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) confirmou que a unidade dispõe de recursos financeiros descentralizados para a compra de insumos e materiais necessários às aulas práticas.

“A execução dessas aquisições é feita pela gestão da unidade escolar, que deve adotar os procedimentos administrativos e legais para contratação de fornecedores, conforme normativas vigentes”, esclareceu a pasta.

Segundo a secretaria, a Coordenação Regional de Ensino acompanhará o caso junto à equipe gestora da escola.

“A Secretaria informa que adotará procedimentos administrativos imediatos para assegurar o fornecimento dos insumos necessários e garantir a continuidade das aulas práticas, sem prejuízo aos estudantes”, informou.

Já a direção da escola afirmou que as aulas teóricas também são fundamentais para o aprendizado e explicou que a aquisição de insumos exige a avaliação de fornecedores e a realização de orçamentos. Segundo a gestão, a variedade de produtos necessários torna o processo mais complexo e pode demandar mais tempo.

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