Mudança de campus da UnDF gera críticas e temor de evasão
Alunos e professores apontam impacto na rotina após transferência do Lago Norte para prédio alugado na Ceilândia
atualizado
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A transferência do campus do Lago Norte da Universidade do Distrito Federal Professor Jorge Amaury Maia Nunes (UnDF) para um prédio alugado do Centro Universitário Iesb, em Ceilândia, gerou críticas de estudantes e professores. A nova unidade foi inaugurada nessa segunda-feira (16/3).
Embora a medida faça parte da estratégia de expansão do ensino superior público no DF, a mudança tem impacto direto na rotina dos alunos, segundo pessoas da comunidade acadêmica ouvidas pela reportagem. Há temor de que alunos desistam dos cursos por causa da mudança.
Para a representante do Diretório Central Acadêmico (DCA) da UnDF, Bárbara Oliveira, os estudantes não são contra a criação de um novo campus, mas criticam a transferência.
“Muitos estudantes dependem exclusivamente do transporte público e organizaram suas rotinas, inclusive com vínculos de trabalho próximos à universidade. Alterações sem planejamento e diálogo comprometem não apenas a formação acadêmica, mas também o futuro desses jovens”, afirmou.
Diante da transferência do campus, os estudantes aprovaram a deflagração de uma greve estudantil após assembleias realizadas nos três turnos nessa segunda-feira (16/3).
A mobilização ocorre em reação à decisão, que, segundo os alunos, foi tomada sem consulta prévia à comunidade acadêmica.
Outro ponto levantado é o contrato de aluguel do espaço, estimado em mais de R$ 110 milhões por cinco anos. Em nota, estudantes também questionam a transparência na gestão dos recursos públicos e a destinação de parte da verba prevista para o campus da Ceilândia.
“A falta de informações objetivas sobre a aplicação desses recursos compromete a confiança da comunidade acadêmica e reforça a necessidade de maior transparência e controle social”, diz um trecho do documento.
Os alunos organizam um ato chamado “OcupaUnDF” nesta quarta-feira (18/3), às 16h, no Campus Norte, no Lago Norte. A mobilização ocorre em paralelo à paralisação de professores, prevista para começar nesta sexta-feira (20/3), por tempo indeterminado.
A reportagem procurou a UnDF para comentar o caso, mas não houve resposta até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para eventuais posicionamentos.
Professores também anunciam greve
Uma representante do SindUnDF disse ao Metrópoles que a paralisação da categoria foi aprovada em assembleia realizada na última quinta-feira (12/3).
“A necessidade da greve veio por conta do esgotamento das conversas [com o Governo do Distrito Federal, a Secretaria de Economia e a reitoria] sobre a reestruturação salarial, porque hoje a gente tem o pior salário entre as universidades públicas, federais, estaduais e municipais do país”, disse.
Segundo ela, entre as principais reivindicações, estão a reestruturação da carreira, melhores condições de trabalho, a criação e funcionamento de conselhos superiores e a realização de eleição para a reitoria.
Ela também critica a forma como a transferência de campus foi conduzida. De acordo com a docente, professores foram informados por e-mail na semana passada sobre a mudança de cursos do Lago Norte para a Ceilândia ainda no meio do semestre.
“A gente está denunciando há um tempo dessa mudança, a gente entende que essa expansão é muito fundamental, porque é um local excelente, é uma região administrativa excelente, mas foi feito sem nenhum diálogo”, afirmou.
A representante também questiona o modelo adotado para a nova unidade, destacando que se trata de um espaço alugado e compartilhado com o Iesb.
“Como a gente não tem conselho universitário, isso deveria ser votado no conselho e foi uma ação repentina, inclusive passou sem licitação. Um aluguel de R$ 110 milhões por cinco anos é um aluguel, então, a gente vai dividir o espaço com o Iesb. Então, não foi compra, é um aluguel por muito tempo e nem é todo o nosso espaço”, disse.
