Associação repudia “erotização de crianças em sala de aula”

Aspa pede "aplicação da lei com a consequente punição" do professor de português do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 104 Norte

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 19/11/2019 18:34

A Associação de Pais de Alunos das Instituições de Ensino do Distrito Federal (Aspa-DF) divulgou uma nota de repúdio contra o professor de português do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 104 Norte. O docente é investigado por pedir a estudantes do 6º ano escreverem uma redação sobre sexo anal e oral.

A Aspa classificou a ação como “nefasta” e afirmou que não tolerará “a erotização e sexualização precoce de crianças em sala de aula”. A associação pede ainda a “aplicação da lei com a consequente punição” do docente.

O caso foi revelado pelo Metrópoles. O professor Wendel Santana, 25 anos, foi desligado da unidade educacional após lecionar sobre sexo durante aula na última quarta-feira (13/11/2019). Na ocasião, ele também pediu aos alunos que escrevessem uma redação improvisada sobre o tema e escreveu expressões no quadro, como “boquete”, “69”, “fio terra”, “punheta” e “dar o cu”.

“O episódio foi registrado por vídeo e por imagem e mostra o professor, de língua portuguesa, passando conteúdo no quadro utilizando-se de termos pornográficos e chulos”, critica a associação.

A entidade também disse estar atenta a esse tipo de iniciativa. “Colocamo-nos à disposição da sociedade para receber denúncias destas práticas que chocam e causam espécie e revolta, no âmbito das escolas públicas e particulares.” Os interessados podem entrar em contato com a Aspa-DF pelo telefone (61) 99911-2772 ou pelo e-mail aspadf11@gmail.com.

Veja a nota na íntegra:

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“Show de horrores”

“Sabemos que ele estava há cerca de um mês no colégio, desde que outra professora se aposentou. Segundo as crianças, um dia ele chegou a levar um texto em latim para a sala e também citou que invocaria o demônio e colocaria os nomes na boca do sapo para costurar. Esse professor já tinha um histórico. O que ocorreu na quarta-feira [13/11/2019] foi um show de horrores”, assegurou.

Segundo a servidora, a filha dela falou que não anotou nada do que estava escrito no quadro e, quando foi até à coordenação, a vice-direção não atendeu ela e nem as amigas. “O conteúdo era completamente inapropriado e o professor recolheu essas redações. Eu fui até a 2ª DP registrar ocorrência porque acredito que deva haver uma apuração rigorosa. A direção nos garantiu que, nesse concurso, ele foi devolvido e não entra mais em sala, mas e nos próximos? Não podemos deixar que aconteça”, ressaltou.

polêmica virou caso de polícia. A Polícia Civil do DF confirmou que o diretor da instituição de ensino e os pais registraram ocorrência na 2ª DP (Asa Norte). Inicialmente, o crime investigado está inserido no artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que consiste em submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento. A pena prevista é detenção de 6 meses a 2 anos. A tipificação criminal pode mudar no decorrer das apurações. As autoridades alertam que os pais devem registrar ocorrência. Em casos sensíveis como esse, a 2ª DP trabalha em conjunto com a DPCA e possui policiais treinados para colher depoimentos dos estudantes.

Segundo denúncia recebida pelo Metrópoles, as crianças fotografaram o conteúdo escrito pelo docente na lousa e gravaram áudios durante a aula.

MPDFT

A Promotoria de Justiça de Defesa da Educação (Proeduc), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), instaurará procedimento para investigar as denúncias apresentadas contra o professor temporário afastado do CEF 104 Norte.

O Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) também se posicionou sobre o ocorrido. Gilza Camilo, diretora da associação, afirmou que a entidade apura as acusações. “Viemos aqui hoje [segunda-feira (18/11/2019)] para resolver outro problema e tomamos conhecimento do caso. Não sabemos se as acusações procedem, mas o professor foi afastado e iremos apurar as denúncias”, explicou.

“A situação é grave. A Secretaria de Educação afastou o professor e vamos aguardar as apurações dos órgãos competentes”, disse o também diretor da entidade Samuel Fernandes.

Nas imagens cedidas à reportagem, é possível ver a data da ocorrência e o tema proposto pelo educador no quadro branco. “Brasília, 13 de novembro de 2019. Objetivo: fazer o próprio currículo. Redação improvisada. Escrever sobre polidez e transformações afetivo-sexuais na adolescência (pós-infância). Sexo oral e penetração”, escreveu.

 

Veja os registros obtidos pela reportagem:

No conteúdo dos áudios obtidos pela reportagem, é possível ouvi-lo dizendo aos alunos: “Repitam comigo: ‘Clitóris, clitóris’. Tem que tratar o assunto com educação, porque é normal”, ele diz.

Confira os áudios:

O outro lado

Em nota, a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE-DF) havia informado nessa segunda-feira (18/11/2019) que o professor temporário foi devolvido preventivamente pela Coordenação Regional de Plano Piloto e Cruzeiro, enquanto a pasta está investigando a situação no CEF 104 Norte.

Nesta terça-feira (19/11/2019), a pasta atualizou as informações e disse que irá rescindir o contrato do professor. “As autoridades policiais foram comunicadas pela direção da escola. Os estudantes receberão o devido apoio do Serviço de Orientação Educacional”, diz trecho do texto.

Metrópoles procurou o professor Wendel Santana para ouvir sua versão sobre o episódio, mas ele não respondeu aos questionamentos da reportagem.

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