Asa Norte: travestidos de moradores de rua, bandidos aterrorizam no “beco do crack”

Na 716 Norte, traficantes e usuários agem com liberdade, enquanto moradores e comerciantes vivem com medo

atualizado

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716 Norte - Metrópoles
1 de 1 716 Norte - Metrópoles - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

A rotina de medo parece não ter fim para a população da Asa Norte (DF). Todos os dias, moradores são atormentados por roubos, furtos e ameaças na região nobre de Brasília. Sem qualquer tipo de incômodo, bandidos agem com ousadia, travestem-se de pessoas em situação de rua e passam a cometer toda sorte de crimes.

Na 716 Norte, o tráfico de drogas a qualquer hora do dia e da noite ocorre sem nenhuma intervenção das forças de segurança. Com tanta liberdade, os traficantes e usuários passaram a ter até um ponto fixo, chamado de “beco do crack”.

Veja:

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Segundo moradores e comerciantes, a 716 Norte virou o "beco do crack"
Crimes voltaram a ameaçar moradores de toda a Asa Norte
Lojas do "beco do crack" foram cercadas, algumas com arame farpado
Segundo a população, o Estado abandonou a região
Criminosos se infiltram entre pessoas em situação de rua
Vestígios do consumo de crack no "beco do crack"
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Vestígios do consumo de crack no "beco do crack"

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Segundo moradores e comerciantes, a 716 Norte virou o "beco do crack"
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Segundo moradores e comerciantes, a 716 Norte virou o "beco do crack"

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Crimes voltaram a ameaçar moradores de toda a Asa Norte
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Crimes voltaram a ameaçar moradores de toda a Asa Norte

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Lojas do "beco do crack" foram cercadas, algumas com arame farpado
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Lojas do "beco do crack" foram cercadas, algumas com arame farpado

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Segundo a população, o Estado abandonou a região
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Segundo a população, o Estado abandonou a região

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Criminosos se infiltram entre pessoas em situação de rua
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Criminosos se infiltram entre pessoas em situação de rua

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O tráfico e o consumo de crack são motores do crime
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O tráfico e o consumo de crack são motores do crime

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Segundo moradores, pessoas em situação de rua fazem necessidades entre lojas e residências no "beco do crack"
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Segundo moradores, pessoas em situação de rua fazem necessidades entre lojas e residências no "beco do crack"

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Para a população, a área precisa de ações das Forças de Segurança e Assistência Social. Além disso, é necessária a atualização das leis
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Para a população, a área precisa de ações das Forças de Segurança e Assistência Social. Além disso, é necessária a atualização das leis

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O "beco do crack" começa a ter movimento às 18h. Mas causa impactos 24 horas por dia
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O "beco do crack" começa a ter movimento às 18h. Mas causa impactos 24 horas por dia

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O local, que abriga comércio e moradias, fica a 1,4 quilômetro da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte). O “beco do crack” ainda fica a poucos metros de renomadas e tradicionais escolas particulares da capital brasileira.

O Metrópoles percorreu a 716 Norte na manhã de segunda-feira (13/4). Por segurança, as identidades das famílias e dos trabalhadores ouvidos serão mantidas em sigilo. Do ponto de vista de Dona Maria*, a região está nas mãos do crime. “O Governo do DF abandonou a gente. São muitas pessoas em situação de rua. Querem doação a todo custo. Xingam, ameaçam, furtam toldos, plantas… A sensação é de medo” contou.

Os núcleos do “beco do crack” ficam entre os blocos A e B, bem como G e H da área comercial. Com pouca iluminação, criminosos, usuários de drogas e traficantes ficam à vontade, principalmente a partir das 18h, embora a sensação de insegurança dure 24 horas. “Um deles apareceu balançando a marmita e eu não tinha comida para dar. Daí, ele disse: ‘ah, é? então amanhã volto e quebro tudo”, lembrou Maria.

Jorrou sangue

João* compartilha da aflição e indignação de Maria. “Um deles agrediu uma mulher, que chegou a jorrar sangue na frente das lojas. Já tentaram tirar eles, mas passa uma semana e eles voltam”, comentou.

Para tentar dificultar a ação dos ladrões,  muitos fundos de loja estão cercados com grades. Um deles tem até arame farpado.

Além dos crimes, João se queixa da sujeira provocada pelos criminosos e pessoas em situação de rua na região. “Eles fazem as necessidades nas lojas, prédios, não ligam para nada. Damos marmitas, mas não comem. Beliscam e jogam a comida no chão. Acaba atraindo ratos e baratas”, revelou.

O crack tomou o beco

Fernando* é outro morador da região que se diz estarrecido com a ousadia dos criminosos. “As casas estão sendo assaltadas, duas, três vezes. A polícia prende, mas chega na delegacia, assina o Boletim de Ocorrência e é solto. O crack tomou conta do beco, são dezenas de pessoas. E, quando chega à noite, o cidadão que trabalha, paga impostos, fica à mercê” desabafou.

O que dizem os órgãos do GDF

A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) respondeu que questões de segurança devem ser tratadas pelas autoridades competentes. “A pasta elucida que não existem dados ou estudos que comprovem que pessoas em situação de rua são delinquentes ou cometem delitos. É importante não generalizar para não estigmatizar ainda mais um público que já é muito vulnerável”.

A Sedes ainda frisou que não faz remoção de pessoas em situação de rua. “O papel deste GDF é garantir o acesso dessa população à rede de proteção social do Distrito Federal, o que tem sido tratado de forma transversal por meio do Plano Distrital para a População de Rua, pioneiro no Brasil, para criar vínculos, prestar atendimento, desenvolver autonomias e acelerar o processo de saída das pessoas das ruas no Distrito Federal. O documento é composto de medidas integradas de diversos órgãos, como a ação de acolhimento, que ocorre quase que diariamente em diversos pontos do DF”.

A pasta ainda ressaltou possuir dois Centros Pop (Asa Sul e Taguatinga) que funcionam diariamente, a partir das 7h, “e servem como ponto de apoio durante o dia para quem vive ou sobrevive nas ruas”.

Já a Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) destacou que a Asa Norte foi escolhida para o lançamento, recentemente, do programa Brasília Mais Segura, que consiste em intensificar o policiamento nos locais com maior incidência de consumo de drogas e de furtos durante a madrugada.

A pasta reconheceu que muitos criminisos se travestem de pessoas em situação de rua para cometer crimes e não serem reconhecidos. “A SSP-DF reconhece que a concentração de pessoas em situação de vulnerabilidade e o tráfico de entorpecentes em áreas comerciais elevam a percepção de risco. Um dos principais fatores é a infiltração de criminosos que utilizam essa vulnerabilidade como escudo para o tráfico de drogas e a prática de delitos, como o furto de cabos, por exemplo”.

(*) – Nomes fictícios

 

 

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