Asa Norte: após ferir o filho, homem recarregou arma para matar mulher

Em coletiva na 2ª DP, o titular da unidade, delegado Laércio Rosseto, disse que o idoso pode ter premeditado o crime

Divulgação/PMDFDivulgação/PMDF

atualizado 28/01/2019 20:40

O vendedor de carros Ranulfo do Carmo, 74 anos, usou uma arma roubada para matar a esposa e efetuar pelo menos três disparos contra o filho na manhã desta segunda-feira (28/1), no Bloco E da 316 Norte. Segundo investigadores da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), após disparar cinco vezes contra Regis do Carmo Correia Maia, 47, o suspeito foi ao quarto e recarregou o revólver calibre .38 para tirar a vida da companheira, Diva Maria Maia da Silva, 69.

Em coletiva na 2ª DP, o titular da unidade, delegado Laércio Rosseto, disse que o idoso pode ter premeditado o crime. “O revólver teria munição para até seis disparos, o que demonstra que ele teria recarregado”, observou.

Após localizarem o revólver usado para consumar a tragédia, os policiais descobriram que ele é registrada em Mato Grosso. Como não tem autorização, Ranulfo também responderá por posse ilegal de arma de fogo.

Aos policiais, o acusado alegou que a discussão foi motivada por um suposto relacionamento extraconjugal da vítima com um zelador. No entanto, a narrativa não foi considerada pelos investigadores. Vizinhos ouvidos também descartaram a versão.

A vítima fatal e o filho haviam voltado de Goiânia (GO) na manhã desta segunda (28). Já no apartamento, os três tiveram uma discussão acalorada. Ranulfo justificou ter “perdido a cabeça”, pegou a arma no quarto e disparou cinco vezes contra Regis, que defendia a mãe das agressões do pai.

Frio, voltou ao quarto, colocou mais munição no revólver e efetuou mais alguns disparos contra a esposa. Imagens do circuito interno do prédio onde o casal morava mostram Diva Maria chegando ao local por volta das 10h. Às 10h17, Ranulfo chega ao imóvel.

Veja no vídeo abaixo:

Dez minutos depois, ele deixa o apartamento tranquilamente e entra no veículo usado para fuga. De acordo com o delegado-chefe Laércio Rosseto, Ranulfo disse que tentaria se esconder no Gama, mas foi preso por uma equipe da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) que patrulhava a região num helicóptero da corporação.

Assista ao momento da prisão:

Captura
Ranulfo atirou na mulher e no filho, no Bloco E da 316 Norte, às 10h25 desta segunda-feira (28/1). De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, Diva Maria Maia da Silva, 69 anos, foi atingida e morreu no local. O filho, de 47 anos, foi levado em estado grave para o hospital, segundo informações preliminares dos bombeiros. Regis do Carmo Correia Maia recebeu três disparos.

Ranulfo fugiu em um Cross Fox branco. Ele foi preso pela Polícia Militar na altura da Quadra 8 do Park Way. De acordo com testemunhas, o autor do crime sempre batia na mulher. Eles viviam juntos, e o acusado sempre teve arma em casa. A filha do casal está em estado de choque e pode ser levada ao hospital a qualquer momento.

Os vizinhos contaram que ouviram muitos tiros. “Parecia um monte de balão estourando. Na hora, não sabia que era tiro”, disse uma mulher que pediu para não ter o nome divulgado. Um dos porteiros acionou a PM. De acordo com ele, foram muitos tiros: “O som era muito alto”. Ele contou ao Metrópoles que o suspeito saiu tranquilamente após cometer o crime e foi embora de carro.

No Distrito Federal, foram registrados 519 casos de violência contra a mulher neste ano (dados até o dia 19/1). Em 2018, 27 mulheres morreram vítimas de feminicídio.

Neste 2019, o Metrópoles inicia um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras. (Colaborou Rebeca Borges)

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