Homem ameaçou matar vizinhos depois de atirar em mulher na 316 Norte

Ranulfo está preso sozinho em uma cela, sob observação, e aparenta estar abalado emocionalmente. Parte das roupas dele foram retiradas

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 28/01/2019 16:39

O vendedor de carros Ranulfo do Carmo, 74 anos, suspeito de matar a esposa e efetuar pelo menos três disparos contra o filho na manhã desta segunda-feira (28/1), também teria aberto fogo contra moradores do Bloco E da Quadra 316 Norte. De acordo com informações preliminares do delegado-chefe da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), Laércio Rossetto, o homem teria atirado contra os vizinhos enquanto fugia do prédio.

Os investigadores pretendem interrogar o suspeito ainda nesta segunda. Ele está preso sozinho em uma cela da unidade policial, sob observação, e aparenta estar abalado emocionalmente. Parte das roupas dele foram tiradas para evitar que tente usá-las para cometer suicídio. “Vamos conversar com ele assim que seu estado psicológico permita. Quando a pessoa esfria e vê a gravidade da tragédia é que ela realmente toma ciência do que aconteceu”, disse o delegado.

A polícia também está atrás da arma utilizada no crime, supostamente um revólver calibre 38. “Vamos localizá-la, caso ela não tenha sido dispensada pelo autor. De qualquer forma, temos provas suficientes para descrever a dinâmica do crime e responsabilizar criminalmente o suspeito”, ressaltou.

De acordo com o delegado, Ranulfo deverá responder, no mínimo, pela morte da companheira, Diva Maria Maia da Silva, 69, e pela tentativa de homicídio contra o filho, Regis do Carmo Correia Maia, 47. “Ainda vamos aprofundar essa informação das ameaças praticadas por ele contra as testemunhas, pois ele teria efetuado disparos contra elas”, disse Rossetto.

A Polícia Civil também coletou todas as imagens registradas pelas câmeras de segurança do edifício, que flagraram Ranulfo deixando o local após cometer o crime. Os vídeos serão anexados ao inquérito policial.

Também estão sendo ouvidas mais testemunhas sobre as supostas brigas que ocorreriam entre a família. “Tivemos relatos preliminares e estamos fazendo a verificação nos bancos de dados da Polícia Civil e junto ao Tribunal de Justiça do DF para ver se existe histórico de medidas protetivas e de violência doméstica contra o autor”, finalizou o delegado.

Dois advogados estiveram na 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte) e se apresentaram como representantes de Ranulfo. No entanto, foram informados pelo delegado da unidade de que o acusado informou “que não tem e nem quer advogado”. “Acho que a situação familiar pesou. Temos duas testemunhas oculares”, disse o agente. Ao Metrópoles, os representantes informaram que foram chamados por um amigo próximo do suspeito.

Captura
Ranulfo atirou na mulher e no filho, no Bloco E, da 316 Norte, às 10h25 desta segunda. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, Diva Maria Maia da Silva, 69 anos, foi atingida e morreu no local. O filho, de 47 anos, foi levado em estado grave para o hospital, segundo informações preliminares dos bombeiros. Regis do Carmo Correia Maia levou três disparos.

Ranulfo fugiu em um Cross Fox branco. Ele foi preso pela Polícia Militar na altura da Quadra 8 do Park Way. Segundo as testemunhas, o autor do crime sempre batia na mulher. Eles viviam juntos e o acusado sempre teve arma em casa. A filha do casal está em estado de choque e pode ser levada ao hospital a qualquer momento.

Os vizinhos contaram que ouviram muitos tiros. “Parecia um monte de balão estourando. Na hora, não sabia que era tiro”, disse uma mulher que pediu para não ter o nome divulgado. Um dos porteiros acionou a PM. De acordo com ele, foram muitos tiros: “O som era muito alto”. Ele contou ao Metrópoles que o suspeito saiu tranquilamente após cometer o crime e foi embora de carro.

No Distrito Federal, foram registrados 519 casos de violência contra a mulher este ano (dados até o dia 19/1). Em 2018, 27 mulheres morreram vítimas de feminicídio.

Neste 2019, o Metrópoles inicia um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras. (Colaborou Rebeca Borges)

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