Após acordo, servidora excluída de cota é nomeada no Itamaraty
Nomeação de Flávia Medeiros foi publicada nesta terça-feira (23/6) no Diário Oficial da União; a reintegração ocorreu após disputa judicial

A nomeação de Flávia Henriques Goes de Medeiros (foto em destaque), de 29 anos, para o cargo de oficial de chancelaria do Ministério das Relações Exteriores foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (23/6).
A medida ocorre após um acordo firmado entre a União e a Advocacia-Geral da União (AGU), que encerrou a disputa judicial envolvendo o sistema de cotas raciais no concurso do Itamaraty.
Flávia havia sido aprovada no concurso realizado em 2024 para uma vaga destinada a candidatos negros. No entanto, durante o procedimento de heteroidentificação, ela foi excluída da lista de cotistas sob o argumento de que apresentava “pele clara, traços finos e cabelos lisos”, características consideradas incompatíveis com os critérios adotados pela banca.
A jovem, que se autodeclara parda, recorreu à Justiça Federal após ter recursos administrativos negados. Ela obteve decisões favoráveis que garantiram sua permanência no certame e chegou a tomar posse do cargo em abril deste ano.
Apesar disso, Flávia foi exonerada em maio após nova avaliação relacionada ao enquadramento nas cotas raciais. A candidata permaneceu 24 dias afastada do cargo até a formalização do acordo que garantiu seu retorno ao Itamaraty.
Ao longo do processo, Flávia sustentou que possuía histórico de aprovação por cotas em universidade federal e outros elementos que reforçavam seu enquadramento na política afirmativa.
Sobre o acordo
O acordo foi firmado nessa segunda-feira (15/6), em cerimônia realizada na sede da AGU, em Brasília, com a participação do ministro da AGU, Jorge Messias, e da ministra em exercício das Relações Exteriores, embaixadora Maria Laura da Rocha.
Segundo os termos estabelecidos, após a homologação judicial, a União adotaria as medidas administrativas necessárias para viabilizar a nomeação e a posse de Flávia no cargo de oficial de chancelaria.
O acordo prevê que os efeitos funcionais passam a valer a partir da nova posse, sem retroatividade.
“Estamos seguindo uma diretriz do governo que nos orienta a lidar com estes temas com humanidade, sem nos afastarmos da legalidade. Esta conciliação preserva a legalidade, preserva a constitucionalidade e corrige uma rota que estava indo na direção equivocada”, afirmou.
Em contrapartida, a candidata renunciou a eventuais pedidos indenizatórios, financeiros ou funcionais relacionados ao período discutido no processo, incluindo remunerações retroativas.
Durante a cerimônia, Flávia agradeceu à equipe da AGU pela condução das negociações e afirmou que a solução demonstra compromisso com a diversidade no serviço público.
“Ter chegado a este acordo diz muito sobre a boa vontade do Estado em continuar contribuindo para a diversidade na administração pública, sobretudo no Ministério das Relações Exteriores”, afirmou. “É com muito orgulho que me disponho a trabalhar neste ministério, sempre foi o meu sonho, a minha vocação”, disse Flávia.
Com a homologação, o processo será encerrado, e todos os recursos e incidentes processuais relacionados à controvérsia ficarão prejudicados, encerrando de forma consensual o litígio entre as partes.
A solução foi construída com atuação da Procuradoria-Geral da União (PGU), por meio da Procuradoria Regional da União da 1ª Região (PRU1), e permitiu encerrar a disputa judicial por meio da conciliação, garantindo segurança jurídica às partes.

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