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Distrito Federal

Anúncio de site que oferece acompanhantes chama a atenção em Brasília

Cartaz com a foto de um bumbum feminino é o chamariz para o endereço virtual de uma página de acompanhantes. Propaganda está espalhada no Setor Comercial e no Eixinho. Segundo a Administração de Brasília, ações têm retirado a propaganda irregular

25/04/2016 14:55, atualizado 25/04/2016 15:02
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Michael Melo/Metrópoles
Anúncio de site que oferece acompanhantes chama a atenção em Brasília

No meio do caminho, tinha um anúncio. Um pouco diferente dos tradicionais, diga-se de passagem, mas que chama a atenção de quem circula pelo centro de Brasília. Na placa que se destaca das demais, há a foto de uma mulher exibindo suas nádegas, o desenho de três pimentas e o endereço de um site que anuncia serviços de acompanhantes. Elas estão nas paradas de ônibus, nos viadutos e em diversos pontos do Setor Comercial Sul e do Eixinho Sul.

Alguns pedestres olham de forma desconfiada. Outros se aproximam para saber do que se trata. No Setor Comercial Sul, uma das propagandas está fixada em um poste (foto principal). E os comentários de quem passa pelo local vão desde “é uma agressão” a “foi uma boa ideia”.

A empresa diz, em sua página na web, que não é uma agência de acompanhantes, apenas “classificados” para adultos. Chamado de Capital Pimenta, o site informa que não faz intermédio entre os clientes e as garotas de programa. As fotos também são de responsabilidade delas, diz a página.

No site, além dos anúncios e das fotos bem produzidas, há uma frase do italiano Leonardo Da Vinci, ressaltando que os serviços prestados são feitos por prazer: “A sabedoria da vida não está em fazer aquilo que se gosta, mas gostar daquilo que se faz”.

O Metrópoles entrou em contato com os responsáveis pelo site. Eles alegaram, por meio de nota, que tudo não passou de uma confusão. “O que ocorreu foi um erro da equipe ( terceirizada ) contratada para distribuir os nossos cartazes para donos de boates, bares e casas de shows. Eles tinham outro serviço de colagem de cartazes de  uma empresa de tratamento dentário e se confundiram colando o nosso cartaz no lugar da outra empresa”.

O administrador do site se identificou como De Souza e garantiu que os anúncios seriam retirados na madrugada de domingo (17/4), mas devido a votação do impeachment, e, para evitar a possibilidade de um  acidente de trânsito devido ao grande número de veículos circulando, resolveram retirar somente no dia 24.

“Utilizamos aquele cartaz somente para propaganda interna em bares, boates. Deixamos claro que a imagem é de uma modelo vestida com biquíni, mas compreendemos que não é uma propaganda para ser usada em qualquer lugar, por isso, vamos retirar todos os anúncios da cidade”, concluiu. Na manhã desta segunda-feira (25/4), a reportagem percorreu a Asa Sul e os cartazes continuavam nos locais.

Michael Melo/Metrópoles
Pedro Campos, comerciante

O empresário Pedro Campos, 57 anos, é dono de uma lanchonete no Setor Comercial Sul e passa, pelo menos, 10 horas por dia sentado em frente ao anúncio. O poste em que foi instalada a placa está em direção ao caixa do estabelecimento.

“Tem uns 15 dias que colocaram isso aqui. Achei até estranho quando vi pela primeira vez, é muito apelativo e mal feito. Uma propaganda que não tem como ler de longe, saber do que se trata. É complicado porque fica exatamente no meu campo de visão, trabalho olhando isso aí”, disse.

Quem toma café na lanchonete de Pedro senta-se no balcão virado para o cartaz. De acordo com a balconista Marli de Sousa, 42, os clientes ficam constrangidos, mas evitam comentar o assunto. “Acho ridículo, ninguém é obrigado a trabalhar ou comer olhando para essa foto. É apelativo”, ressaltou.

Mesma opinião tem o aposentado João Andrade, de 76 anos. Ele diz que se sente agredido com a imagem. “É um local com grande circulação de crianças. Entendo que essas acompanhantes precisam trabalhar, mas não precisa funcionar assim”, defende.

O autônomo Orlando Rocha, 29, viu o anúncio do Capital Pimenta enquanto esperava o ônibus em uma parada do Eixinho Sul. Maranhense e morador do P Sul, o homem disse que não vê problema na divulgação do site. “Hoje em dia, isso é normal. É um trabalho honesto como qualquer outro. As pessoas estão precisando de dinheiro. É melhor ganhar de forma honesta do que roubar igual esses políticos”, defendeu.

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Outro lado
Uma acompanhante de 27 anos, moradora da Asa Norte, anuncia seus serviços em dois sites da cidade. Ela acredita que a internet facilita a atuação em todos setores, tanto profissional, quanto pessoal. “Nunca anunciei no jornal porque acredito que restringe muito o público. No site, podemos colocar várias fotos, contatos e falar um pouco das nossa habilidades”, contou a moça, que pediu para não ter o nome divulgado.

Para chamar a atenção do cliente em meio a tanta concorrência, vale investir na produção. Ela explica que muitas garotas contratam fotógrafo, fazem vídeos sensuais e capricham na produção. “Temos que nos destacar, ficar sempre arrumadas, maquiadas e em forma”, afirmou.

Faturando até R$ 10 mil por mês, ela lembra que trabalhou muitos anos em uma empresa e teve de mudar de profissão porque foi demitida no ano passado.

“Fizeram cortes de funcionários e acabei na rua.Tentei diversas vezes encontrar outro serviço, mas, enquanto isso, as contas se acumulavam. Hoje, consigo manter minha casa, comprar o que eu gosto e até viajar para lugares que nunca imaginei ir”, conta.

Segundo ela, a crise que a demitiu não é suficiente para espantar de vez os clientes. A renda diminuiu, mas ela conta faturar R$ 6 mil em meses mais “fracos”.

Administração
A Administração Regional de Brasília informou, por meio de nota, que a equipe tira anúncios irregulares das ruas diariamente, inclusive em fins de semana. “Inúmeras propagandas do site mencionado já foram removidas por nossa equipe de diversos pontos da cidade”, afirmou o órgão.

A Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) acrescentou que auditores já estão localizando o responsável pelos cartazes do site e, se comprovada a existência de atividade econômica, serão aplicada as penalidades previstas em lei.

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