Águas Claras: com restrição de horário, empresários preveem demissões
Estabelecimentos têm de encerrar as atividades até as 2h, sextas e sábados. De domingo a quinta, comércio deve fechar à meia-noite
atualizado
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Comerciantes de Águas Claras temem ser obrigados a demitir funcionários após a uma ordem de serviço da administração regional da cidade limitar o horário de funcionamento de bares, restaurantes e até foodtrucks. A medida foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) de quinta-feira (7/3) e já está em vigor.
Os estabelecimentos podem funcionar de domingo a quinta-feira, das 8h à 0h. Às sextas-feiras, aos sábados e em vésperas de feriados o horário pode ser ampliado até as 2h do dia seguinte.
Dono da rede de restaurantes Potiguar, que possui três unidades em Águas Claras, Flávio Silva Alves teme ter de demitir até 40 funcionários, entre garçons, cozinheiros, faxineiros e auxiliares, com a redução do turno da noite. Ele conta que já teve problemas com a administração ao anunciar o serviço 24 horas em uma das lojas e precisou recuar. Só nesse empreendimento, 12 pessoas foram dispensadas com o cancelamento do terceiro período.
Acho que todo mundo perde nessa história. Perde o empregado, porque fica sem emprego; perde o empresário, porque deixa de ganhar ali, naquele horário; perde a sociedade, que fica sem o serviço; e perde também o governo, porque o consumo gera imposto e investimento. Esse tipo de medida afugenta o investidor da cidade
Flávio Silva Alves, empresário
Proprietário de um restaurante especializado em comida de buteco, o Maleta, Wesley Cortez também receia mandar embora funcionários do turno da noite. Atualmente com 27 empregados, o quadro pode ter baixa de cinco trabalhadores por conta da limitação do horário.
“Águas Claras é uma cidade dormitório. Às vezes, até chegar em casa, tomar um banho e sair, o cliente já chega ao bar depois das 22h e quer ficar até mais tarde. Se, de domingo a quinta, eu precisar fechar à meia-noite, tenho de encerrar a cozinha e começar a recolher as caideiras antes das 23h30. Isso não é ruim, é péssimo”, desabafa o empresário.

Prejuízos
Lucas Galvão, sócio de um estabelecimento que funciona há 14 anos na cidade, o Restaurante do Rubinho, também vê prejuízos, mas não pensa em eventuais demissões.
Prestes a abrir a segunda unidade em Águas Claras, Galvão acredita que a medida prejudica o comércio, sobretudo em dias de maior movimento. “Falo não apenas enquanto empresário mas como consumidor também. Às vezes, fecho o restaurante à meia-noite e quero sair para tomar uma cerveja. Como faz?”, questiona.
No maior grupo de Facebook destinado a residentes da cidade, a Associação de Moradores e Amigos de Águas Claras (Amaac), que reúne aproximadamente 60 mil pessoas, a ordem de serviço da Administração Regional divide opiniões.
Se, de um lado, muitos querem serviços 24h e que funcionem durante a madrugada, outros prezam pelo sossego e justificam que o movimento no comércio perturba quem mora em regiões próximas a bares.
Entenda a mudança
Os quiosques, trailers e ambulantes devidamente regularizados e instalados em áreas residenciais ou perto de estabelecimentos de ensino, público ou particular, e estações de metrô podem funcionar todos os dias até as 22h. Aqueles situados em áreas não residenciais têm a opção de encerrar suas atividades às 23h.
Para bares e restaurantes, o uso de música mecânica ou ao vivo está permitido somente na área interna do local, que deve possuir isolamento acústico. Ficam expressamente proibidos em distribuidoras de bebidas atendimento e serviços em mesas, balcões e similares e a execução de som.
As casas noturnas, boates e eventos em espaço de festas ou similares, que necessitam de alvará, podem funcionar até as 3h e não têm restrições quanto ao som.
A Agência de Fiscalização do DF (Agefis) acompanhará o cumprimento dos horários estabelecidos e pode penalizar quem infringir as novas regras.
O Metrópoles pediu, na tarde de quinta-feira (7), esclarecimentos à administração regional de Águas Claras sobre as novas normas de funcionamento. A reportagem cobrou retorno diversas vezes por e-mail e pelo WhatsApp da assessoria de imprensa, mas não obteve resposta.