“Age rápido porque levaram a Cleonice”, disse marido antes de morrer

Cláudio Vidal e os dois filhos foram mortos a tiro e facadas. A mulher está desaparecida. PCDF acredita que suspeito do crime a sequestrou

atualizado 09/06/2021 20:13

Cleonice Marques, mulher desaparecidaArquivo pessoal

Antes de morrer, Cláudio Vidal de Oliveira, 48 anos, disse ao cunhado que a esposa havia sido levada por quem invadiu a casa deles: “Age rápido porque levaram a Cleonice”. Cláudio e os dois filhos – Gustavo Marques Vidal, 21, e Carlos Eduardo Marques Vidal, 15 – foram mortos na Fazenda Vidal, no Incra 9, na madrugada desta quarta-feira (9/6), em Ceilândia.

O triplo homicídio chocou o Distrito Federal. Os corpos estavam em um quarto, um deles sobre a cama, e os outros dois no chão. As vítimas foram encontradas com marcas de tiro e facadas.

Cleonice Marques, 43, mulher de Cláudio e mãe de Gustavo e Carlos, ainda está desaparecida. Foi solicitado o apoio de helicóptero e cães farejadores para procurá-la. A Divisão de Repressão ao Sequestro (DRS) presta apoio às investigações.

Ela teria sido levada por Lázaro Barbosa de Sousa, 32 anos. Ele é suspeito do triplo homicídio. O delegado-chefe da 24ª Delegacia de Polícia (Setor O), Raphael Seixas, disse que a digital de Lázaro foi identificada na cena do crime.

Segundo o policial, celulares das vítimas estavam na casa. Porções de dinheiro também foram encontradas. Não há indícios de que algo foi levado da residência.

Cleonice conseguiu ligar para a família pedindo socorro ao ver que a porta da sua casa estava sendo arrombada. Eles chegaram rapidamente ao local, 10 minutos depois. No entanto, Cleonice já havia sido levada. Cláudio Vidal ainda estava vivo.

Uma das hipóteses é de que Lázaro tenha invadido a casa para roubar os pertences da família. No entanto, ao ver que Cleonice pedia socorro pelo telefone, ele se apressou em deixar o local do crime.

Veja fotos do local do crime e de Cleonice:

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Outros crimes

Lázaro Barbosa já é investigado pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher 2 (Deam 2)  pelo crime de roubo seguido de estupro. No dia 26 de abril, ele teria abordado uma mulher no Sol Nascente e a estuprado.

Segundo a polícia, ele já residiu no Sol Nascente e em Águas Lindas (GO), Entorno do DF, mas atualmente não tem endereço fixo e trabalha como carroceiro. A polícia investiga se há participação de outras pessoas no crime.

Há mandado de prisão contra ele na Bahia por homicídio e três condenatórios na Justiça do DF: dois roubos e um estupro.

O delegado disse que, no dia 17 de maio, Lázaro também invadiu uma casa da região, próximo ao local do crime desta madrugada. O modus operandi foi semelhante: ele entrou na casa com revólver e faca, amarrou a família e tirou as roupas deles. Só que dessa vez ninguém ficou ferido.

Família acredita em assalto

De acordo com a Polícia Militar do DF (PMDF), a porta da casa estava arrombada. A cunhada de Cláudio Vidal contou ao Metrópoles que Cleonice Marques chegou a ligar em seu telefone para pedir socorro.

Sônia Maria, 58, disse que Cleonice pediu socorro com a voz baixa no telefone. “Ela falou que estavam entrando na casa dela e pediu para ligar para a polícia, mas logo desligou o telefone. Acredito que tomaram dela”, disse.

Familiares e amigos das vítimas acreditam na hipótese de assalto. Segundo Edivaldo Gomes, amigo da família, as vítimas não tinham inimizade com ninguém e mantinham boas relações com os clientes da floricultura e com os vizinhos.

“Somos amigos há anos, conheço os meninos desde criancinha e é um choque pra mim. Não tem possibilidade de ser acerto de contas, só pode ser assalto, mesmo”, afirmou.

À reportagem o sobrinho de Cláudio Vidal contou que não pode imaginar outro motivo para o triplo homicídio. “Acreditamos que podem ter entrado na chácara em busca de dinheiro, e eles podem ter reagido, mas desconhecemos outros motivos”, reforçou.

“Os familiares das vítimas moram na residência ao lado. Eles informaram que a família tem uma floricultura e não tinha inimizades. Há uma semana, um assalto foi cometido na região, mas eles não souberam informar o que, de fato, ocorreu”, explicou o sargento da PMDF Tiago Gomes, que esteve no local.

“Não há testemunhas. Os parentes viram apenas uma movimentação suspeita, pensaram que se tratava de roubo, mas, quando entraram na casa, se depararam com os corpos e chamaram a polícia”, completou o PM.

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