Advogada de assassino de Thalita Berquó abandona caso e júri é adiado
João Paulo Teixeira da Silva iria a júri popular em 9 de março. Ele é um dos acusados pelo assassinato da mulher em parque do Guará
atualizado
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A cinco dias do júri popular, a defesa de João Paulo Teixeira da Silva (foto em destaque) abandonou o caso. Réu confesso pelo assassinato de Thalita Berquó, 36 anos, ele seria julgado na próxima segunda-feira (9/3). Com a saída da defesa, a Justiça do Distrito Federal determinou o adiamento da sessão.
O julgamento estava marcado para ter início às 8h30, no Tribunal do Júri do Guará. A nova data do júri popular não foi agendada.
Na última segunda-feira (2/3), João Paulo também foi condenado a 11 anos, 6 meses e 18 dias de reclusão, a serem cumpridos inicialmente em regime fechado, pela tentativa de homicídio de um desafeto.
O crime aconteceu na madrugada de 2 de dezembro de 2024, na QE 40 do Guará II. Segundo os autos, o acusado efetuou disparos de arma de fogo que atingiram a vítima no braço. O Conselho de Sentença acatou a tese de que o crime foi motivado por uma dívida de drogas, o que qualificou o ato como motivo torpe.
Durante a dosimetria da pena, o magistrado destacou a alta periculosidade do réu. No momento do crime, João Paulo estava em liberdade condicional, cumprindo pena por outros processos. Além disso, o juiz ressaltou que o condenado é “multirreincidente”, possuindo condenações anteriores por roubo e furto qualificado.
Assassino de Thalita Berquó
Thalita Berquó foi morta no Parque Ecológico Ezechias Heringer, no Guará, em 13 de janeiro de 2025. A vítima teve a cabeça e as pernas arrancadas e jogadas pelos assassinos em um córrego da região. O tronco foi enterrado na área.
Nos dias que se seguiram ao crime, a cabeça e as pernas de Thalita foram encontradas na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Companhia Ambiental de Saneamento do Distrito Federal (Caesb), no Setor de Clubes Esportivos Sul (SCES), próximo à Vila Telebrasília.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) conseguiu identificar e localizar os suspeitos de cometer o crime após analisar os últimos passos da vítima antes de ela ser assassinada.
No dia em que foi morta, Thalita esteve em uma invasão dentro do Parque Ecológico Ezechias Heringer para comprar drogas. Porém, teria ocorrido um desentendimento entre ela e os autores do crime – João Paulo Teixeira da Silva e dois adolescentes, então com 15 e 17 anos –, o que teria motivado o homicídio.
João Paulo está preso desde março de 2025. Ele responde por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e corrupção de menores. Por sua vez, os dois adolescentes respondem por ato infracional análogo aos crimes de homicídio e ocultação de cadáver.
Em outubro do ano passado, a 2ª Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal (VIJ-DF) concedeu regime de semiliberdade a um dos adolescentes apreendidos.
A família de Thalita, que teve acesso à sentença, detalhou que o juiz Márcio da Silva Alexandre desconsiderou as qualificadoras do homicídio e entendeu que o ato praticado pelo acusado teria ocorrido sob “domínio de violenta emoção, em seguida a injusta provocação da vítima”.
O acusado cometeu o crime quando ainda tinha 17 anos e responde por ato infracional análogo a homicídio. Mesmo já tendo completado 18 anos, ele permanecia, até então, recluso em uma unidade de internação destinada a menores infratores.
Desaparecimento
Em 2 de fevereiro de 2025, a família de Thalita registrou boletim de ocorrência sobre o desaparecimento dela. Em depoimento, a mãe da vítima contou que a filha consumia drogas e que chegou a ser internada devido ao uso de entorpecentes.
A mãe acrescentou que a vítima havia “sumido” em outras oportunidades, mas nunca tinha ficado desaparecida por tanto tempo.
Antes de desaparecer, em 11 de janeiro de 2025, Thalita enviou mensagens à mãe pelo WhatsApp e disse estar no Guará com um amigo. Dois dias depois, a vítima voltou a conversar com a mãe pelo aplicativo de mensagens. Foi o último contato entre as duas.
O amigo da vítima informou que ela havia chamado um carro por aplicativo para deixá-la na QE 46 do Guará II. Ouvido pela polícia, o motorista afirmou que a passageira comentou que uma “amiga” a buscaria no local.
A identificação do corpo de Thalita baseou-se em um processo multidisciplinar envolvendo técnicas médico-legais e odontolegais; análise de perfil biológico por meio de antropologia forense e exames genéticos conduzidos pelo Instituto de Pesquisa de DNA Forense (IPDNA) da PCDF. O trabalho foi complementado por informações de georreferenciamento, considerado relevante para a conclusão.




