metropoles.com

MP vai recorrer da semiliberdade dada a assassino de Thalita Berquó

Juiz da 2ª Vara da Infância e da Juventude concedeu regime de semiliberdade a um dos assassinos de Thalita. Crime ocorreu em janeiro de 2025

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução
thalita berquo
1 de 1 thalita berquo - Foto: Reprodução

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) vai recorrer da sentença que concedeu regime de semiliberdade a um dos três assassinos confessos de Thalita Marques Berquó Ramos (foto em destaque). A decisão que aliviou a pena do acusado foi proferida pela 2ª Vara da Infância e da Juventude (VIJ-DF) na última segunda-feira (20/10), e causou revolta na família da vítima.

“O Ministério Público não concorda integralmente com a sentença e, por isso, vai recorrer”, declarou o MPDFT ao Metrópoles.

A família de Thalita, que teve acesso a sentença, detalhou que o juiz Márcio da Silva Alexandre desconsiderou as qualificadoras do homicídio e entendeu que o ato praticado pelo acusado teria ocorrido sob “domínio de violenta emoção, em seguida a injusta provocação da vítima”.

O acusado cometeu o crime quando ainda tinha 17 anos e responde por ato infracional análogo a homicídio. Mesmo já tendo completado 18 anos, ele permanecia, até então, recluso em uma unidade de internação, destinada a menores infratores.

A medida socioeducativa de semiliberdade impõe restrição parcial de liberdade ao menor infrator, que cumpre a medida em entidade de atendimento, com possibilidade de realizar atividades externas autorizadas, como estudar ou trabalhar.

O rapaz foi apreendido em 12 de setembro pela Polícia Civil do Distrito Federal. Além dele, estão detidos um adolescente e João Paulo Teixeira da Silva, 36.

Família contesta sentença

Em nota de repúdio assinada por Gláucia Berquó, tia de Thalita, os familiares refletem que a decisão da VIJ-DF afronta a memória da vítima e relativiza a crueldade do ato praticado.

“A decisão em questão causa perplexidade não apenas à família, mas a todos que acreditam na Justiça e na proporcionalidade das penas diante da gravidade dos crimes. A sentença minimiza a brutalidade do crime e transfere parte da responsabilidade à própria Thalita — uma afirmação inaceitável e desumana”, alegam os parentes.

MP vai recorrer da semiliberdade dada a assassino de Thalita Berquó - destaque galeria
3 imagens
Vítima teria sido agredida a pauladas antes de ser esquartejada
Thalita foi morta após reclamar de qualidade da droga que comprou
Um homem foi preso, e dois adolescentes apreendidos pelo crime
1 de 3

Um homem foi preso, e dois adolescentes apreendidos pelo crime

Reprodução
Vítima teria sido agredida a pauladas antes de ser esquartejada
2 de 3

Vítima teria sido agredida a pauladas antes de ser esquartejada

Reprodução
Thalita foi morta após reclamar de qualidade da droga que comprou
3 de 3

Thalita foi morta após reclamar de qualidade da droga que comprou

Reprodução

Ainda, conforme destacado pelo promotor de Justiça responsável pelo caso, trata-se de uma sentença que fere o princípio da isonomia, uma vez que, para outro envolvido no mesmo crime, a Justiça reconheceu a existência de homicídio triplamente qualificado e destruição de cadáver, impondo sanção compatível com a barbárie cometida.

A família de Thalita também reforçou apoio ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que já anunciou a intenção de recorrer da sentença, e confia que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) reverterá a decisão, “restabelecendo a justiça que Thalita e sua memória merecem”.

“Não buscamos vingança, buscamos justiça verdadeira — aquela que reconhece a dor, respeita a vida e não relativiza o sofrimento das vítimas”, destacaram os familiares.

Crime bárbaro

Thalita foi morta e esquartejada em uma invasão no Parque Ecológico Ezechias Heringer, no Guará, em 13 de janeiro último. A vítima teve a cabeça e as pernas jogadas pelos assassinos em um córrego da região, e o tronco foi enterrado na área.

No dia em que foi assassinada, a vítima esteve em uma invasão dentro do parque, para comprar drogas. Porém, um desentendimento entre ela e os autores do crime – um homem de 36 anos e dois adolescentes, de 15 e 17 – teria ocorrido e motivado o homicídio.

A discussão estaria relacionada à qualidade dos entorpecentes vendidos por eles a Thalita, que acabou morta a pedradas e facadas.

Nos dias que se seguiram ao crime, a cabeça e as pernas de Thalita foram achadas na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Companhia Ambiental de Saneamento do Distrito Federal (Caesb) no Setor de Clubes Esportivos Sul (SCES), próximo à Vila Telebrasília.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comDistrito Federal

Você quer ficar por dentro das notícias do Distrito Federal e receber notificações em tempo real?