Adolescente se aproveita de descuido e foge de unidade de internação

O jovem em conflito com a lei participava de oficina profissionalizante, por ter bom comportamento. Ele ainda não foi encontrado

atualizado 11/05/2018 15:26

Pedro Ventura/Agência Brasília

Um adolescente em conflito com a lei aproveitou falha no monitoramento e fugiu da Unidade de Internação de Santa Maria (UISM). No momento do incidente, por ter bom comportamento, o rapaz, segundo a Secretaria de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude (Secriança-DF), participava de oficina profissionalizante de pintura de muro na parte externa do local.

O incidente ocorreu nessa quarta-feira (9/5). A pasta disse que informou sobre a evasão — quando o interno sai do sistema durante atividade externa — à Vara da Infância e da Juventude (VIJ) do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT), ao Ministério Público local e às polícias civil e militar. Até a última atualização deste texto, o adolescente não havia sido encontrado.

O Metrópoles questionou a Subsecretaria do Sistema Socioeducativo da Secriança sobre falta de agentes socioeducativos no momento da fuga e falha no monitoramento. A pasta afirmou que não tem essas informações, por serem “restritas para o processo de apuração via corregedoria”. A secretaria também não explicou se havia servidores supervisionando os adolescentes durante a oficina.

Pelo menos quatro adolescentes se evadiram do sistema socioeducativo desde o ano passado. Em 2017, duas internas driblaram a segurança durante evento sediado na Fundação Escola Superior do Ministério Público do DF e Territórios, na 502 Sul. Elas estavam na UISM, mas foram levadas pela direção do centro para participar da solenidade no Plano Piloto.

No mesmo ano, um adolescente se evadiu do carro que o transportava da VIJ à Unidade de Internação do Recanto das Emas (Unire).

Problemas diversos
As fugas são apenas mais um dos diversos problemas do sistema socioeducativo do DF. Em março, o Metrópoles reportou a precária estrutura das unidades de internação, locais onde há ratos e cobras nos corredores, refletores quebrados e água da chuva invadindo as instalações, além de trancas danificadas. A reportagem havia obtido com exclusividade relatório produzido pelo Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente (CDCA/DF), o qual listou esses problemas.

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Ainda em março, um adolescente de 16 anos foi assassinado na Unidade de Internação Provisória de São Sebastião (UIPSS). O crime teria sido cometido por um colega de quarto de 14 anos. No mesmo mês, as câmeras de segurança da unidade do Recanto das Emas registraram agressões de agentes a jovens infratores. O grupo que trocou chutes e socos com os profissionais havia participado, dias antes, de um motim na tentativa de fugir do local.

Em outra oportunidade, a reportagem listou os riscos de rebeliões e outros transtornos.

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