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Três adolescentes infratores que cumprem medida socioeducativa na Unidade de Internação do Recanto das Emas (Unire) foram agredidos por uma equipe de servidores. Os menores faziam parte do grupo que, no último sábado (3/3), participou de uma rebelião na tentativa de escapar do local. No episódio, um agente chegou a ser dominado e teve uma faca artesanal apontada para o pescoço.

Horas após os momentos de tensão, os adolescentes foram reunidos em um pátio. Imagens gravadas por uma das câmeras de segurança da unidade mostram a agressão. Sentandos no chão e sem camisa, os adolescentes são interpelados por um dos servidores, que chuta um dos rapazes. O menor levanta e confronta o agente.

Em seguida, houve uma briga generalizada, com chutes, socos, enforcamentos, rasteiras e spray de pimenta disparado por um um dos agentes da Unire. Os menores são dominados e a confusão termina.

Veja as imagens

 

Governo vai investigar
De acordo com a Secretaria da Criança, a pasta teve conhecimento do caso e as imagens estão sob análise. Por meio da assessoria de imprensa, o órgão informou que abrirá procedimento de apuração interno para identificar todos os servidores envolvidos na agressão.

A reportagem tentou contato com representantes do Sindicato dos Servidores da Carreira Socioeducativa do DF (Sindsse-DF), mas, até a última atualização desta matéria, a entidade não havia retornado as ligações.

Arma branca
A rebelião do último sábado (3) também foi registrada em vídeo. Na gravação do sistema de segurança, a qual o Metrópoles teve acesso, é possível ver um menor subjugando um agente portando arma branca. Outros três internos da Unire aparecem correndo por uma ala. Os adolescentes acabaram recapturados, e a situação foi controlada.

A tentativa de fuga ocorreu durante o momento de abertura das celas de um dos módulos.

Veja:

 

O botão de pânico – medida para situações de emergência – foi acionado. Segundo relatos, a Polícia Militar do DF (PMDF) chegou ao local somente 30 minutos após o incidente.

O caso ocorreu um dia após os agentes socioeducativos decretarem paralisação até essa terça (6). Na noite de sexta (2), a Justiça do DF decretou a greve ilegal e determinou que, caso a ordem de manter as atividades seja descumprida, o Sindsse-DF ficará sujeito a multa diária de R$ 100 mil.

Hoje, há 1.082 servidores que trabalham nas unidades em esquema de plantão (24 horas por 72). Destes, segundo a Secretaria da Criança, 220 foram nomeados no ano passado. São aprovados nos concursos de 2015 e 2017.

Penúria
A lista de problemas do sistema socioeducativo tem crescido nos últimos meses. No fim do ano passado, o Metrópoles mostrou a falta de estrutura e segurança nas unidades de internação, o que, segundo os servidores, eleva o risco de incidentes violentos, como rebeliões e tentativas de fugas.

No mês passado, vídeos feitos por trabalhadores socioeducativos e cedidos à reportagem exibem problemas estruturais nas unidades. As gravações mostram goteiras, alagamento e até uma cobra no interior de um dos locais de internação.

Na ocasião, a pasta afirmou que a Subsecretaria do Sistema Socioeducativo (Subsis) recebeu a demanda sobre os vazamentos e ordenou o reparo à empresa de engenharia prestadora de serviços. Em relação à cobra, o Batalhão de Polícia Ambiental foi acionado e recolheu o animal cerca de uma hora depois de serem acionados.