Quem é Yury do Paredão, que enviou R$ 1,5 milhão a shows de sócio
Yury do Paredão patrocinou emendas enviadas a municípios por meio da Comissão de Turismo. Verba pagou shows de Jonas Esticado

O deputado federal Yury do Paredão (MDB-CE) patrocinou emendas que foram usadas para contratar shows do cantor Jonas Esticado, do qual ele é empresário. Embora esteja no primeiro mandato na Câmara dos Deputados, o deputado ganhou projeção tanto pela atuação no meio artístico quanto pelas polêmicas na casa legislativa.
Eleito com 90 mil votos nas Eleições de 2022, Yury Bruno de Alencar Araújo, mais conhecido como Yury do Paredão, fez carreira na música. O apelido “Yury do Paredão” provém da atuação no meio artístico e no lançamento de artistas.
O empresário é o responsável por lançar Jonas Esticado, um dos cantores de forró mais conhecidos do país. Dono do hit “Investe em Mim”, o artista tem no repertório colaborações com artistas conhecidos nacionalmente, como Gusttavo Lima e Wesley Safadão.
Em 2022, Yury Bruno foi eleito deputado federal pelo estado do Ceará pelo Partido Liberal (PL). No ano seguinte, porém, ele rompeu com a sigla após acenos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aos ministros de seu governo.
Na ocasião, durante uma visita de Lula ao Ceará, ele posou com o presidente da República. Depois, esteve com ministros em um evento em Pernambuco, onde apareceu fazendo o “L”. O pedido para expulsá-lo veio do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
As polêmicas, no entanto, antecedem o cargo de deputado federal. Em 2018, ele foi preso por por atirar contra um funcionário, mas garantiu liberdade após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) conceder um habeas corpus ao empresário.
Emenda a show de sócio
Como revelou a coluna, shows do cantor Jonas Esticado fora pagos com emendas de autoria do próprio empresário. Emendas de comissão patrocinadas pelo deputado Yury do Paredão bancaram shows do artista do qual ele é sócio.
Documentos enviados ao Ministério do Turismo pelos municípios beneficiados mostram que parte da verba pelo parlamentar foi usada para pagar a empresa Jonas Esticado Gravações & Edições Musicais LTDA. A firma tem como sócios o cantor e Yury do Paredão.
As emendas foram indicadas ao Orçamento da União por meio da Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados e foram apadrinhadas por Yury do Paredão. Os valores foram repassados aos municípios no decorrer de 2025, após as prefeituras firmarem convênio com o Ministério do Turismo.
Deputado nega ingerência
Procurado pela coluna, o deputado Yury do Paredão afirmou que as emendas parlamentares destinam recursos a entes públicos, dentro das regras orçamentárias e dos programas federais correspondentes, e que elas não contratam artistas, empresas ou fornecedores.
“A execução dos convênios é de responsabilidade exclusiva dos municípios beneficiados. Cabe a cada prefeitura definir a programação dos eventos, escolher as atrações, realizar os procedimentos administrativos de contratação, efetuar os pagamentos e prestar contas aos órgãos competentes”, pontuou.
Em nota, o gabinete do parlamentar frisou que nesses eventos, “as prefeituras contrataram diversos artistas de renome nacional e grande relevância regional — nomes que figuram entre os mais requisitados do país e são contratados por prefeituras de diferentes estados e orientações políticas”.
“As escolhas seguem a lógica de mercado que orienta qualquer evento desse porte: capacidade de público, identidade cultural e retorno à economia local. Não há qualquer destinação dirigida a um único artista”, completou.
O parlamentar também afirma que não participa da execução administrativa dos convênios e não tem ingerência sobre as contratações realizadas pelos municípios. “A atuação do parlamentar no setor artístico-cultural do Nordeste é pública, anterior ao mandato e de amplo conhecimento, mas não se confunde com as decisões administrativas tomadas pelas prefeituras, sobre as quais o deputado não tem ingerência”, afirma.
Procurado pela coluna, o Ministério do Turismo se limitou a afirmar que “as referidas emendas são discricionárias da Comissão de Turismo, cabendo ao Ministério o cumprimento das regras vigentes”.
A coluna procurou as prefeituras citadas, mas não houve resposta. O espaço segue aberto.










