Imposto do Pecado: Fazenda quer transição light e Saúde cobra robustez
Saúde defende alíquotas mais altas para reduzir consumo de álcool, enquanto Fazenda aposta em transição light para evitar impacto político

Encampada pelo Ministério da Fazenda para evitar desgaste do governo Lula às vésperas das eleições, a proposta de uma “transição light” do Imposto Seletivo sobre bebidas alcoólicas (conhecido como imposto do pecado) contraria o Ministério da Saúde, que defende uma tributação mais alta para reduzir o consumo, especialmente entre a população mais vulnerável.
A pasta chefiada por Alexandre Padilha defende ser “imprescindível avançar na implementação de uma política tributária mais eficaz sobre as bebidas alcoólicas, de modo a impactar substancialmente o preço de venda e, assim, reduzir seu consumo em escala populacional”.
A Saúde vai além e sustenta que as futuras alíquotas devem ser suficientemente elevadas para cumprir sua função extrafiscal e alerta que a redução da carga tributária – inclusive durante a transição – não é aconselhável, sob pena de estimular o consumo e aumentar riscos à saúde e à vida.
Essa visão, formalizada num documento do ano passado, colide com a proposta feita pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Nos últimos dias, ele afirmou que o desenho final das alíquotas do Imposto Seletivo será discutido ao longo de 2027, para começar a ser implementado apenas em 2028, o que empurra uma definição para longe do ano eleitoral.

O governo teme que eventual aumento de preços prejudique a reeleição do presidente Lula, que prometeu em 2022 que o brasileiro voltaria a comer picanha e tomar “cervejinha”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAté lá, a estratégia será a de preservar a neutralidade tributária, ou seja, manter a carga atual sobre a cerveja e outros itens. Isso significa reproduzir o IPI que hoje incide sobre as bebidas, evitando discussões que possam gerar instabilidade para os setores afetados durante o período eleitoral.
No documento de 2025, o próprio Ministério da Saúde já alertava que “embora a criação desses tributos seja um avanço inédito nas políticas de saúde pública, a reforma tributária ainda está em andamento e é objeto de intensas disputas políticas e econômicas”.
Agora, enquanto a Fazenda busca um pouso suave para a indústria, a Saúde pede um freio mais firme sobre o consumo.












