Ex-assessor de miliciano tem cargo de R$ 13 mil na gestão Eduardo Paes
Em 2012, Eduardo Paes criticou nomeação de Anderson da Silva Moreira, conhecido como Zoião, pelo seu ex-secretário de Obras

Um ex-assessor do vereador Cristiano Girão, chefe da milícia da Gardênia Azul, foi nomeado por Eduardo Paes em maio de 2021 para exercer um cargo em seu gabinete. Anderson dos Santos Moreira já havia ocupado um cargo no primeiro mandato de Paes, entre 2008 e 2012, quando foi alvo de críticas do então prefeito por… justamente ter sido assessor de um miliciano.
Em 2012, quando estava em campanha eleitoral para a reeleição na Prefeitura do Rio, Paes criticou seu ex-secretário de Obras e da Casa Civil, Luiz Guaraná, por ter nomeado Anderson dos Santos Moreira na pasta. O então prefeito disse que a contratação demonstrava “falta de inteligência e de percepção” porque, apesar de Anderson dos Santos Moreira não ser miliciano, ele havia trabalhado para um “sujeito esquisitíssimo”.
No primeiro ano do retorno de Paes à Prefeitura do Rio, em 2021, ele nomeou Anderson dos Santos Moreira, que é conhecido como Zoião, para trabalhar em seu gabinete. Atualmente, o assessor trabalha na Subprefeitura da Barra da Tijuca, na zona oeste da capital, e tem um salário de R$ 13 mil.
Em 2012, Eduardo Paes declarou o seguinte sobre Zoião:
“Acho muito ruim para ele [Luiz Guaraná] ter contratado alguém que trabalhou para o Girão. Se eu fosse ele, já o teria demitido ontem”, disse Paes. “Isso não me afeta em nada, mas já puxei a orelha dele porque, por mais que o rapaz não tenha ligação com a milícia, tem um mau antecedente. Trabalhou no gabinete de um sujeito esquisitíssimo.”
Na época, uma reportagem da Veja informou que o ex-assessor de Girão, conhecido como Zoião, trabalhou para o miliciano até 2010 e coordenava a campanha de Guaraná na Gardênia Azul.
Em nota à coluna, a Prefeitura do Rio de Janeiro disse que a nomeação seguiu todos os procedimentos de controle adotados pela gestão, incluindo a apresentação da documentação exigida pela Secretaria Municipal de Integridade e Transparência.
“Causa estranheza que questionamentos sobre sua função como assessor parlamentar até 2010 – 16 anos atrás – aconteçam agora, pois, ao longo de sua trajetória na administração municipal, o servidor exerceu diferentes cargos sem qualquer registro de ato que comprometesse ou desabonasse sua permanência no serviço público”, disse a nota.

Além de ser acusado de chefiar a milícia da Gardênia Azul, Girão, que foi eleito em 2008 e preso em 2009, é réu por duplo homicídio e está preso desde 2021. Ligado ao assassino de Marielle Franco, Ronnie Lessa, Girão mandou executar o ex-policial André Henrique da Silva Souza, o André Zóio, e a companheira dele, Juliana Sales de Oliveira, de 27 anos, em 14 de junho de 2014.
Informações da investigação indicam que, na época do crime, a Gardênia Azul – local onde Girão atuaria como miliciano desde a década de 1990 – era alvo de uma disputa territorial. André Henrique seria um miliciano de Campo Grande, também na Zona Oeste, que tentava controlar a Gardênia.









