
Tácio LorranColunas

Rio ignorou análise de irregularidades ao contratar ONG suspeita
Controladoria-Geral do Rio de Janeiro disse que pasta chefiada por Otoni de Paula Filho ignorou análise de histórico de ONG suspeita
atualizado
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Um documento da Controladoria-Geral do Município (CGM-Rio), enviado para a Secretaria de Cidadania do Rio de Janeiro, na quinta-feira (14/5), afirmou que a pasta pulou ritos processuais ao contratar o Instituto de Proteção das Garantias Individuais e Assistência Social (IPGIAS) por R$ 6 milhões.
O comunicado, que pede a anulação do contrato, foi elaborado após uma reportagem da coluna revelar que a Prefeitura do Rio de Janeiro havia contratado o IPGIAS seis meses após a ONG ter sido alvo de uma auditoria da CGU, que apontou irregularidades no uso de dinheiro público.
A CGM-Rio afirmou que houve ausência de análise prévia do histórico da instituição, o que é exigido por decreto municipal. A Secretaria de Cidadania é comandada por Otoni de Paula Filho, filho do deputado federal Otoni de Paula, do MDB.
“O referido dispositivo estabelece como condição inafastável para a celebração do contrato de patrocínio a análise prévia de integridade da entidade patrocinada, exigência de natureza substantiva que deve preceder – e condiciona – a manifestação de vontade da Administração”, apontou o documento enviado a Otoni de Paula Filho.
A CGM pediu também a abertura de um procedimento de apuração de responsabilidade dos agentes públicos que ignoraram requisitos obrigatórios para a contratação e a devolução imediata do valor que já foi pago ao IPGIAS.
O contrato estipulou um patrocínio de R$ 6 milhões da Prefeitura do Rio ao evento Feira da Cidadania e Família nas Favelas. Do total, já foram pagos R$ 4 milhões, que serão devolvidos aos cofres públicos.
Irregularidades apontadas pela CGU
A CGU apontou que o IPGIAS não comprovou possuir capacidade técnica e operacional para executar projetos para os quais havia sido contemplado com emendas parlamentares. O órgão também alegou que os planos de trabalho apresentados pela ONG tinham preços acima do mercado e não permitiam atingir os objetivos propostos.








