Prefeitura do Rio contrata ONG alvo da CGU por R$ 6 milhões
Contrato foi celebrado pela Secretaria de Cidadania, chefiada pelo filho do deputado Otoni de Paula, Otoni de Paula Filho

A Secretaria Especial de Cidadania da Prefeitura do Rio de Janeiro celebrou, em abril deste ano, contrato de R$ 6 milhões com o Instituto de Proteção das Garantias Individuais e Assistência Social (IPGIAS). A ONG foi alvo de auditoria da CGU, seis meses antes do contrato com a prefeitura carioca, por superfaturamento e falta de execução de programas sociais bancados por emendas parlamentares.
Chefiada por Otoni de Paula Filho, filho do deputado federal Otoni de Paula (MDB), a Secretaria Especial de Cidadania já pagou R$ 4 milhões dos R$ 6 milhões previstos no contrato. A parceria, que tem duração de oito meses, é para o funcionamento da Feira da Cidadania e Família nas Favelas.
Procurada, a Prefeitura do Rio informou que o patrocínio relacionado ao projeto Feira Cidadania e Família nas Favelas será anulado em razão do descumprimento dos requisitos estabelecidos no Decreto Municipal nº 53.521/2023, que regulamenta as contratações por patrocínio no âmbito da administração municipal.
O programa, segundo o site da Prefeitura do Rio, é um evento itinerante que oferece serviços públicos, atividades culturais, lazer e orientações sobre direitos ao cidadão gratuitamente. Ainda não foram realizadas programações, apesar de mais da metade do valor já ter sido empenhado.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO relatório da CGU elaborado em outubro do ano passado apontou que o IPGIAS não comprovou possuir capacidade técnica e operacional para executar projetos para os quais ela havia sido contemplada com emendas parlamentares. O órgão também alegou que os planos de trabalho apresentados pela ONG tinham preços acima do mercado e não permitiam atingir os objetivos propostos.
ONG recebeu emendas de deputados e senadores
O Instituto de Proteção das Garantias Individuais e Assistência Social (IPGIAS) tem ligação com todos os espectros da política fluminense. A ONG recebeu R$ 43,8 milhões em emendas entre 2025 e 2026.
As emendas vieram da bancada do Rio de Janeiro e de deputados e senadores ligados ao PL, PP, Republicanos, PSDB, PDT, PT e PSD. As indicações, entretanto, ocorreram em 2024, antes do relatório da CGU.
Entre os que mais destinaram dinheiro estão: Sóstenes Cavalcante e Romário, do PL do Rio de Janeiro, com R$ 7,8 milhões e R$ 5,7 milhões, consecutivamente.








