Ex-vereador do RJ, Cristiano Girão é preso e pode ajudar a elucidar caso Marielle

Segundo a Polícia, Girão contratou Ronie Lessa, acusado do homicídio de Marielle Franco e Anderson Gomes, para matar ex-policial em 2014

atualizado 30/07/2021 14:21

Polícia Civil do Rio prende, em São Paulo, o ex-vereador Cristiano GirãoReprodução

Rio de Janeiro – Agentes da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), em operação realizada em São Paulo, prenderam o ex-vereador Cristiano Girão, do Rio de Janeiro. A ação também tem como alvo o ex-policial militar reformado Ronnie Lessa, preso pela morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A prisão de Girão foi motivada pela comprovação da ligação entre ele e o político.

Girão, segundo a polícia, é ex-chefe da milícia de Gardênia Azul, na zona oeste do Rio, e teria contratado Lessa para executar o ex-policial André Henrique da Silva Souza, o André Zóio, e sua companheira, Juliana Sales de Oliveira, de 27 anos, crimes ocorridos em 14 de junho de 2014. Os assassinatos, de acordo com O Globo,  em razão de uma disputa pelo controle da Gardênia.

O vínculo entre Lessa e Girão é considerado, pela polícia e pelo Ministério Público do Rio, também como um passo importante na elucidação do Caso Marielle.

O ex-vereador foi denunciado pela morte de André Zóio e Juliana no último dia 19. O casal estava em um Honda Civic, dirigido pelo homem, quando o veículo foi interceptado por um Fiat Dobló, branco, de onde partiram os tiros que mataram o casal.

As investigações revelaram que Girão estava se movimentando de forma suspeita, passando a dormir em uma loja nos últimos dias, de onde saía sempre às 6h, quando as operações policiais são permitidas. O ex-vereador acabou preso numa rua da capital paulista.

Caso Marielle

Na avaliação das promotoras do caso, Simone Sibílio e Letícia Emile, que integravam a força-tarefa do caso Marielle, comprovar que Girão contratou Lessa para matar Zóio e a mulher é um fato importante. Segundo elas, isso corrobora a possibilidade de o ex-policial ter sido contratado para outras tarefas semelhantes, incluindo as execuções da vereadora e do motorista, mortos numa emboscada em março de 2018.

CPI das Milícias

Girão foi denunciado pela CPI das Milícias, conduzida, em 2004, pelo então deputado estadual Marcelo Freixo. Preso em 2009, Girão chegou a jurar vingança ao parlamentar. Na época, Marielle atuava no gabinete de Freixo, dando apoio às famílias de vítimas das milícias, o que a levou a ser apadrinhada pelo político, se tornando vereadora em 2017. Como Freixo andava cercado de seguranças, seria necessário buscar um alvo com menos resistência. Daí, segundo a investigação, a escolha pelo nome da parlamentar.

Para os investigadores, existem semelhanças entre os casos. A sequência de tiros com o carro em movimento naquele duplo homicídio e a precisão dos disparos indicam que o crime tem a assinatura de Lessa. Juliana, que estava com Zóio, e Anderson, o motorista de Marielle, teriam morrido como “efeito colateral”, linguagem usada pelos bandidos para classificar mortes de pessoas que não seriam os alvos dos ataques. Outro ponto em comum foi o uso de arma automática.

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