Mulher do acusado por morte de Marielle criou laços com o crime

Esposa de Ronnie Lessa, Elaine foi condenada por obstrução da Justiça no caso Marielle e agora denunciada pelo MPF por tráfico de armas

atualizado 20/07/2021 10:05

Elaine LessaReprodução

Rio de Janeiro – O policial militar reformado Ronnie Lessa ganhou notoriedade ao ser apontado como o assassino que efetuou os disparos que mataram a vereadora Marielle Franco (PSol) e seu motorista, Anderson Gomes, em 2018 no Rio de Janeiro.

A investigação em torno do acusado abriu caminho ainda para outra constatação: Lessa e sua mulher, Elaine, são unidos por laços de matrimônio e conectados pelo crime.

Os dois têm juntos uma condenação pelo descarte das armas usadas no assassinato de Marielle, que foram lançadas ao mar. Ao lado deles também estavam o cunhado Bruno Figueiredo, irmão de Elaine, e outros dois réus.

O casal e os outros três acusados foram condenados a quatro anos de prisão pelo crime de obstrução da Justiça decorrente da ação conjunta para desaparecer com as armas do crime no caso Marielle.

Elaine foi presa em outubro de 2019 e deixou a cadeia na última sexta-feira (16/7), beneficiada por decisão judicial que permitiu a conclusão da pena com medidas socioeducativas, como a prestação de serviços comunitários.

A liberdade se estendeu por menos de 48 horas.

Na manhã de domingo (18/07), agentes da Polícia Federal bateram na porta da residência de Elaine na Barra da Tijuca, na zona oeste carioca. Desta vez, ela e o marido Ronnie foram denunciados pelo Ministério Público Federal por tráfico internacional de armas.

Elaine voltou para o xilindró. Já preso em uma penitenciária federal de segurança máxima, Lessa permaneceu por lá.

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Segundo o MPF, em 2017, a Receita Federal apreendeu no Aeroporto Internacional do Galeão, na zona norte do Rio, 16 quebra-chamas que podem ser adaptados em fuzis. As peças mencionadas são usadas para reduzir o clarão provocado no momento do disparo e, por esta razão, acabam sendo úteis em ações noturnas de forças militares.

A encomenda tinha como endereço final a academia de ginástica Supernova, situada na comunidade de Rio das Pedras, na zona oeste, e controlada pela milícia, de acordo com dados da investigação.

Ronnie e Elaine eram sócios do estabelecimento.

Arma de brincadeira

Bruno Castro, advogado da família Lessa, alega que houve um equívoco na investigação.

“O material apreendido não é ilícito. Não é quebra-chamas. É um equipamento usado em brinquedo de airsoft”, diz ele.

Airsoft é um jogo com armas de pressão que dão tiros de plástico, algo semelhante ao paintball (brincadeira com tiros de tinta).

O laudo da perícia, no entanto, concluiu que as peças seriam destinadas ao uso em fuzis AR-15 ou modelos similares.

Filha de Ronnie

A investigação do MPF registrou ainda diálogos entre Ronnie e sua filha, de 24 anos, relacionados à compra em sites americanos de acessórios para armas. As conversas ocorreram em 2019, período em que a moça morava nos Estados Unidos.

Segundo os investigadores, Ronnie instruía a filha a colocar o material em embalagens menores, retirando-as dos pacotes originais, para não chamar atenção na alfândega.

“Ela (a filha) prestou todos os esclarecimentos às autoridades policiais e nega as acusações”, afirmou o advogado da família.

Júri popular

Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Queiroz ainda serão levados a júri popular para responder pelos assassinatos de Marielle e Anderson.

Lessa é acusado de ser o responsável pelos tiros. Queiroz é citado como o motorista que dirigia o veículo usado para perseguir o carro das vítimas.

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