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Sexo seguro pode ficar comprometido com a guerra no Irã; entenda
Os custos aumentaram e alguns insumos usados na produção de preservativos passaram a faltar desde quando começou a guerra no Oriente Médio
atualizado
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O fornecimento de insumos essenciais para a produção de preservativos está sendo comprometido com a guerra no Oriente Médio. Diante disso, os preços das camisinhas podem aumentar e, como consequência, o sexo seguro pode ficar mais caro.
Segundo Goh Miah Kiat, CEO da maior fabricante de preservativos do mundo, a empresa pode precisar elevar os valores em até 30%. O motivo é o conflito no Irã, que tem paralisado o estreito de Hormuz, dificultando o transporte.
“A situação é definitivamente muito frágil, os preços estão altos”, explicou o empresário da Karex à Reuters. “Não temos outra opção a não ser repassar os custos para os clientes neste momento.”
A escassez de materiais derivados do petróleo — substância que passa pelo estreito — também explica a alta. Para se ter uma ideia, a amônia, usada para conservar o látex, ficou mais cara.
Kit disse que os custos com a produção dispararam desde fevereiro, quando o conflito começou na região. Aproximadamente um em cada cinco preservativos no mundo é produzido pela Karex.
Preocupação
Na última década, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou um declínio no uso de preservativos por adolescentes sexualmente ativos em todo o mundo.
Uma pesquisa destacou a mesma preocupação: entre os entrevistados da geração X e Z, 30% disseram que usam preservativos o tempo todo e 17% usam o método na maior parte do tempo, mesmo com parceiros de longa data.
Com o aumento dos preços dos preservativos, esses números podem subir ainda mais.

Segundo a infectologista Camila Ahrens, a camisinha é uma das formas mais eficazes de prevenção das infecções sexualmente transmissíveis, como HIV e HPV.
“Temos visto um aumento preocupante de ISTs, justamente entre os mais jovens. Muitos ainda acreditam que o risco é baixo, mas não é”, destaca a médica do Hospital São Marcelino Champagnat.
Camila afirma que, atualmente, existem preservativos de diferentes tamanhos e espessuras, que praticamente não alteram a experiência. “É possível tornar o uso da camisinha parte do momento íntimo, trazendo o parceiro ou parceira para essa construção.”










