Pouca vergonha

Ex-diretor da Playboy fala sobre quebrar tabu ao abordar a camisinha

Em entrevista no Youtube, ex-diretor da revista de sexo contou que na época falar de camisinha e sexo seguro, ainda era tabu

atualizado

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1 de 1 destaque playboy (1) - Foto: Arte/Metrópoles

Desde sua criação, a Playboy construiu uma imagem fortemente associada à liberdade sexual — mas, nos bastidores, havia limites rígidos sobre o que podia ou não ser dito. Diretrizes impostas pela matriz norte-americana restringiam temas considerados “sensíveis”, especialmente aqueles que ligavam sexo a risco, doença ou qualquer abordagem mais realista da sexualidade.

No Brasil, onde a revista foi lançada em 1975, essas restrições também eram aplicadas. No entanto, a redação local começou a tensionar esses limites justamente ao perceber a desconexão entre o discurso editorial e a realidade. Em meio ao avanço da Aids, falar de sexo sem mencionar prevenção passou a soar não apenas ultrapassado, mas irresponsável. Foi nesse contexto que surgiu a decisão de romper um dos maiores tabus da publicação: tratar abertamente do uso de preservativos.

Segundo o jornalista Juca Kfouri, então diretor de redação, a resistência interna era grande. Ele relembra que pautas envolvendo práticas sexuais, como sexo coletivo, chegavam à redação sem qualquer menção à camisinha — reflexo direto das diretrizes internacionais. A justificativa era clara: a revista não deveria vincular prazer a riscos ou doenças. Ainda assim, a versão brasileira decidiu confrontar essa lógica, como contou no programa Alt Tabet, no YouTube.

Após negociações com Hugh Hefner, a publicação conseguiu autorização para ir além e produzir uma reportagem centrada justamente na importância da camisinha. O material não só rompeu um padrão histórico da revista, como também foi reconhecido internacionalmente, recebendo prêmio da Organização Mundial da Saúde.

Capas famosas da revista

A mudança marcou um ponto de virada: pela primeira vez, a sexualidade deixava de ser tratada apenas sob a ótica do prazer e passava a incorporar também responsabilidade e informação. Em um cenário cercado por preconceitos e silêncio, a iniciativa ajudou a abrir espaço para conversas mais honestas sobre sexo — inclusive dentro de uma publicação conhecida justamente por explorar o tema de forma mais estética e fantasiosa.

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