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Sexo pode ajudar no lipedema? Médica explica sobre prazer e inflamação
Liberação de hormônios durante a relação sexual pode reduzir o estresse e atuar como aliada no controle da doença
atualizado
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Muito além do prazer, o sexo também pode ser um aliado inesperado da saúde — inclusive para quem convive com o lipedema. Em meio a massagens, drenagens e rotinas de cuidado, uma pergunta começa a ganhar espaço: e se a intimidade também fizer parte do tratamento?
Durante o sexo, o corpo entra em um verdadeiro “modo bem-estar”. Há liberação de hormônios como a ocitocina, ligada ao vínculo e ao relaxamento, e as endorfinas, conhecidas pelo efeito analgésico e pela sensação de prazer. Ao mesmo tempo, os níveis de cortisol — o hormônio do estresse — tendem a cair. Para uma condição como o lipedema, frequentemente associada à inflamação e ao estresse crônico, esse combo hormonal pode fazer diferença.

Não se trata apenas do ato em si, mas de tudo o que o envolve: conexão, toque, desejo e relaxamento. Esse conjunto ajuda a reduzir tensões físicas e emocionais, fatores que impactam diretamente o corpo. Em outras palavras, uma vida sexual ativa e satisfatória pode contribuir para um organismo menos inflamado e mais equilibrado.
A endocrinologista Fernanda Parra explica que práticas que promovem bem-estar têm um papel importante no equilíbrio hormonal e podem contribuir indiretamente para a melhora de quadros inflamatórios. “Durante o sexo, há liberação de hormônios como ocitocina e endorfinas, que estão associados à sensação de prazer, relaxamento e redução do estresse.”
“Esse conjunto de respostas pode ajudar a modular o sistema inflamatório do organismo. No entanto, no caso do lipedema, esse efeito é complementar. Não é um tratamento direto, mas pode colaborar dentro de uma abordagem mais ampla de cuidado”, explica.
Sexo ajuda a diminuir o estresse
A redução do cortisol está associada a benefícios metabólicos e inflamatórios no organismo como um todo. “Sabemos que níveis elevados e crônicos de estresse podem piorar processos inflamatórios e impactar negativamente diversas condições de saúde. No lipedema, embora ainda não existam evidências robustas mostrando uma relação direta entre cortisol e progressão da doença, faz sentido considerar estratégias que reduzam o estresse como parte do cuidado.”

Sexo ajuda, mas não é tratamento
A médica salienta que é importante deixar claro que o sexo não deve ser encarado como uma forma de tratamento para o lipedema. “Ele pode ser considerado um complemento dentro de um estilo de vida saudável, que inclui manejo do estresse, sono adequado, alimentação equilibrada e prática de atividade física.”
“O tratamento do lipedema envolve acompanhamento médico, podendo incluir terapias específicas, controle inflamatório e, em alguns casos, abordagens cirúrgicas”, reforça Fernanda. “Portanto, os benefícios do sexo estão mais relacionados ao bem-estar geral e não substituem o cuidado clínico estruturado.”














