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Artista vive 100 encontros como experimento sobre amor e vício em sexo
A performer realizou uma maratona de encontros virtuais para investigar suas próprias relações e o vício em sexo e amor
atualizado
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A artista Harriet Richardson diz que sempre viveu relacionamentos de forma intensa. Desde a adolescência, aos 14 anos, ela relata desenvolver paixões obsessivas que acabam marcando diferentes fases da sua vida. “Quando olho para os meus 30 anos, é como se cada período tivesse o nome do homem por quem eu estava apaixonada na época”, afirma.
Harriet se define como viciada em sexo e amor desde os 20 anos. Segundo ela, o problema não é o desejo por encontros casuais, mas a tendência de transformar relacionamentos em obsessões. “As pessoas acham que vício em sexo e amor significa falta de controle. No meu caso é o contrário. Eu não busco sexo casual; procuro alguém para idealizar, alguém a quem dedicar meus pensamentos”, contou ao The Independent.

Atualmente com ajuda de terapia — e após oito meses de celibato — a artista decidiu transformar sua experiência pessoal em uma performance. No último Dia dos Namorados, dia 12 de fevereiro nos Estados Unidos, ela realizou o projeto “100 Dates”, no qual participou de 100 encontros virtuais em um único dia, todos realizados por vídeo e com duração de cinco minutos.
Qualquer pessoa podia se inscrever para participar. O objetivo, segundo Harriet, era explorar novas formas de conexão humana e testar se era possível conhecer pessoas sem cair em padrões de obsessão. “Durante o processo de recuperação, precisei analisar como me relaciono com os outros. Fazer 100 encontros é uma forma extrema desta investigação”, explica.

O experimento começou às 8h da manhã e se estendeu até cerca de 2h da madrugada do dia seguinte, com pausas de apenas cinco minutos entre cada conversa. No total, ela acabou realizando 105 encontros, incluindo participantes extras para compensar ausências.
Apesar do ritmo intenso, Richardson afirma que a experiência foi menos cansativa do que viver uma paixão obsessiva. “As pessoas acham que fazer 100 encontros é loucura. Mas isso não chega nem perto do desgaste de passar anos obcecado por alguém”, diz.
Ao final da maratona, a artista conta que fechou o laptop e chorou de exaustão e emoção. “Senti uma gratidão enorme. Eram pessoas que não me deviam nada, mas mesmo assim se arrumaram, prepararam perguntas e quiseram conversar”, relata.

A performance já havia sido realizada por ela em 2024, em um momento em que enfrentava uma crise no relacionamento e queria provar para si mesma que não estava sozinha. Desta vez, porém, a experiência teve outro significado: marcar seu processo de recuperação.
Mesmo após os encontros, Richardson afirma que continua celibatária e focada na terapia. “Esse tipo de vício não desaparece completamente. É algo que precisa ser administrado, como qualquer outro”, explica.
Segundo ela, a maior mudança foi perceber que seu tipo de interesse também mudou. Em vez de se sentir atraída por pessoas emocionalmente distantes — um padrão recorrente no passado —, agora se interessa mais por quem demonstra autoconhecimento e abertura emocional.
“Eu ainda estou aprendendo a me relacionar de forma saudável”, diz. “Mas sinto que estou chegando lá.”
