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Sexo após filhos muda rotina e fortalece conexão entre casais
Entre rotina e novas prioridades, pesquisa mostra queda na frequência, mas aponta mais conexão, comunicação e cumplicidade na intimidade
atualizado
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Entre mamadeiras, reuniões e noites mal dormidas, a vida sexual de quem é mãe ou pai ganha novos contornos — e, muitas vezes, um novo ritmo. Se antes havia mais espontaneidade, depois dos filhos o sexo passa a disputar espaço com o cansaço e a rotina, exigindo planejamento quase digno de agenda corporativa. Ainda assim, essa fase não significa o fim da intimidade, mas sim uma transformação natural na forma como o casal se conecta.
Dados recentes mostram que a parentalidade impacta diretamente a frequência sexual, mas também revela algo curioso: casais com filhos tendem a valorizar mais os momentos a dois, ainda que mais raros. Entre interrupções inesperadas e horários apertados, o sexo deixa de ser apenas impulso e passa a ser também escolha — o que, na prática, pode fortalecer vínculos e trazer uma nova camada de cumplicidade para a relação.

A sexóloga e terapeuta sexual Gabriela Marinho explica que o puerpério, momento que vem logo após o parto, é extremamente delicado para as mamães. O ideal, então, é explorar outras formas de intimidade com o parceiro.
“Primeiramente, é fundamental manter a comunicação com o parceiro, o que vai ajudar a se sentir mais confiante, mais acolhida e explorar outras formas de prazer no começo”, comenta a especialista. “Pode começar vendo uma série, iniciar com algumas carícias e, assim, a mulher vai se sentindo mais segura para voltar a ter vida sexual com ou sem penetração.”
De acordo com a sexóloga, o maior desafio é entender que as mulheres estão em uma fase diferente. “Agora você tem um bebê que, no início, vai mudar seu corpo, e vai promover mudanças hormonais, ou seja, a disposição vai mudar. O desafio é entender que essa fase é nova e deve ser curtida também.”
Além disso, não podemos, por fim, descartar as oscilações hormonais, mudanças no corpo e o aumento de tarefas que também influenciam na libido dessa mãe.
“É importante compreender que, nos primeiros meses, não adianta se cobrar por que as coisas de fato vão sair do controle. Por isso, tenha uma rede de apoio familiar, de amigos, uma comunidade e, lógico, o próprio parceiro”, encerra a expert.
Pesquisa
Um levantamento recente da LELO, feito com 2 mil adultos em relacionamentos, revela um retrato da intimidade dos casais — e a maternidade aparece como um dos fatores centrais nessa equação. Segundo os dados, 25% dos casais com filhos fazem sexo apenas uma vez por mês ou menos, enquanto a média geral é de quatro vezes mensais, com duração média de 18,6 minutos por encontro.

Entre os principais obstáculos para manter uma vida sexual ativa, a rotina familiar pesa — e muito. O estudo aponta que 22% dos entrevistados citam demandas com filhos e parentalidade como um dos maiores fatores que impactam a frequência sexual, atrás apenas de cansaço (38%) e diferenças de desejo (29%). Isso mostra como a maternidade (e a paternidade) não afeta apenas o tempo disponível, mas também a energia física e emocional dos casais.
Outro dado relevante reforça o impacto da rotina: casais que mantêm momentos a dois com mais frequência têm uma vida sexual mais ativa. Aqueles que têm mais “date nights” chegam a ter relações até oito vezes por mês, enquanto os que quase não saem juntos ficam entre zero e uma vez mensal. Em contextos de maternidade, em que o tempo do casal costuma ser reduzido, essa diferença se torna ainda mais evidente.
Conexão emocional
O estudo ainda destaca que conexão emocional, comunicação e pequenos momentos de proximidade fazem diferença, especialmente em fases mais intensas da vida, como a criação dos filhos.
Essa revelação também se aplica à frequência com que as pessoas se comunicam com seus parceiros por mensagem de texto, já que, de acordo com os dados, enviar mensagens de texto com mais frequência resulta em mais relações sexuais. Aqueles que fazem sexo “com muita frequência” também foram o grupo com maior probabilidade de dizer que enviam mensagens de texto para seus parceiros “constantemente” (35%).
Em comparação, aqueles que dizem que “raramente” fazem sexo também foram os menos propensos a manter comunicação constante por mensagens de texto com seus parceiros (9%).
























