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Entenda por que mães não são vistas como seres sexuais na sociedade
Especialista explica como o patriarcado e o mito cristão influenciam nas mães não serem vistas como pessoas com direito a usufruir de sexo
atualizado
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Às vésperas do Dia das Mães, é importante pensar em como as mulheres são vistas após a maternidade no contexto social. Afinal, se a sociedade já não percebe o sexo como um direito da mulher de forma geral, após se tornarem mães, então, elas passam a não serem mais enxergadas como seres sexuais.
Dados levantados pelo aplicativo de paquera Inner Circle apontam que ao menos 52% das mulheres que estavam conversando com alguém sofreram ghosting (nome que se dá à prática de sumir de repente durante a paquera, como parar de responder mensagens) após contar que têm filhos.
Isso acontece por que, além do tabu em torno do sexo e do patriarcado, existe o mito da purificação. Ele é herdado do cristianismo, uma vez que Maria engravidou sem a consumação do ato sexual.
“Isso ainda é muito forte em nossa cultura. As mulheres foram rotuladas e categorizadas historicamente pelos homens como sendo putas para transar de forma recreativa, e como santas para casar e ter filhos”, explica o psicólogo e sexólogo Marcos Santos.

Ao associar a maternidade a um evento sagrado – que não poderia se misturar à imagem “suja” que o sexo tem aos olhos de muitas pessoas –, acontece uma “proibição” intrínseca da sexualidade para as mães. “Muitas vezes, essa visão chega a afetar a própria vida conjugal, uma vez que os maridos deixam de ver a parceira sexualmente”, pontua.
Contudo, vale lembrar que isso está contido dentro da série de crenças limitantes do sistema machista. Afinal, mães, assim como todas as mulheres, têm direito de gozarem de sua sexualidade — e de terem prazer. No caso das mamães que deram à luz há pouco, a dica é ter paciência e respeitar o próprio tempo.
“A partir do momento em que a mulher tiver desejo, ela pode voltar devagar às atividades sexuais de masturbação; e ao ato com penetração após o período do puerpério”, elucida a ginecologista Viviane Monteiro.
Sem contar que uma vida sexual ativa não só é direito de todos, como é um dos pilares para uma vida plena e saudável, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
















