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Da briga para cama: o perigo do sexo de reconciliação
Quando o sexo vira solução rápida, o conflito pode até sumir — mas só por um tempo; entenda os perigos por trás da prática
atualizado
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Após uma grande briga com seu/sua parceiro(a), você pode seguir entre esses dois caminhos: evitar qualquer clima enquanto a poeira baixa ou, sem muito aviso, sentir o desejo aparecer e transformar a tensão em um sexo quente.
Pode soar estranho ir da irritação à excitação em poucos minutos — porém, isso é mais comum do que parece. É daí que nasce o chamado “sexo de reconciliação”, quando casais que acabaram de discutir acabam indo para o quarto como uma forma (rápida) de fazer as pazes. Intenso? Quase sempre. Resolutivo? Nem tanto.

Para algumas pessoas, esse tipo de sexo funciona como uma válvula de escape — um jeito de aliviar o estresse e encerrar o conflito sem prolongar o desgaste. Para outras, o impulso vem de um lugar mais sensível: o medo de perder o outro. Em vez de enfrentar uma conversa difícil, o corpo entra em cena como uma tentativa de garantir que está tudo bem.
Por mais que soe “romântico”, esse comportamento pode ser nocivo emocionalmente. De acordo com a psicóloga e terapeuta sexual Ana Paula Nascimento, após uma reconciliação, o sexo é percebido como mais intenso devido à emoção do momento. A superação de conflitos, então, cria uma falsa sensação de renovação e intimidade. “O sexo pode ajudar a liberar a tensão acumulada durante o período de desentendimento”, diz a expert.
A sexóloga comenta que, apesar desse ciclo soar como comum, algumas pessoas podem usar a transa como um meio de evitar discutir problemas subjacentes, o que é capaz de desencadear uma dependência da intimidade física como forma de resolver conflitos, sem abordar as questões emocionais reais.
Outro ponto negativo, segundo Ana Paula, é criar expectativas irrealistas na relação sexual. “Se a reconciliação não resolve os problemas subjacentes, o que parece um ‘novo começo’ pode se transformar em um ciclo repetitivo de conflitos e reconciliações, em que o sexo é apenas um paliativo temporário”, acrescenta.

Além disso, se o sexo se torna a principal forma de reconciliação, a comunicação aberta sobre sentimentos e necessidades pode ser prejudicada, “dificultando a construção de um relacionamento mais saudável a longo prazo”, finaliza a especialista.










