Pouca vergonha

Dia 8 de Março: goze como uma mulher

Entre tabus, cultura falocêntrica e falta de autoconhecimento, especialistas explicam por que o orgasmo feminino ainda é cercado de mitos

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Getty Images
imagem colorida de uma mulher deitada com olhos fechados
1 de 1 imagem colorida de uma mulher deitada com olhos fechados - Foto: Getty Images

No dia 8 de Março, data que marca a luta histórica das mulheres por direitos, igualdade e autonomia, falar sobre prazer também é um ato político. Durante séculos, o desejo feminino foi silenciado, controlado ou tratado como tabu. Hoje, discutir sexualidade sob a perspectiva das mulheres é reivindicar protagonismo sobre o próprio corpo — inclusive na hora de gozar.

Significa conhecer o próprio corpo, respeitar seus limites, entender seus tempos e romper com padrões que colocam o prazer feminino em segundo plano. A autonomia, a informação e o autoconhecimento são ferramentas fundamentais para transformar a relação das mulheres com o próprio desejo — dentro e fora da cama.

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de Março

Apesar disso, um estudo, publicado na revista Sexual Medicine pela Oxford University Press, descobriu que a taxa de orgasmo feminino durante o sexo variava de 46% a 58%. Já a taxa de orgasmo masculino era até 30% maior, variando de 70% a 85%.

Os pesquisadores descobriram que o problema persiste em todas as faixas etárias, mas não em todas as sexualidades, o que corrobora outras evidências de que mulheres que fazem sexo com mulheres têm orgasmos com mais frequência.

Dia 8 de Março: goze como uma mulher - destaque galeria
5 imagens
Uma vida sexual ativa e saudável tem impacto direto no bem-estar
O prazer e o orgasmo liberam hormônios responsáveis pela diminuição do estresse e pela melhora do sono
É possível manter a sexualidade ativa e saudável até a terceira idade
No sexo, tudo é liberado desde que com total consentimento de todos os envolvidos e segurança
O sexo é um dos pilares para uma vida saudável, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS)
1 de 5

O sexo é um dos pilares para uma vida saudável, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS)

Getty Images
Uma vida sexual ativa e saudável tem impacto direto no bem-estar
2 de 5

Uma vida sexual ativa e saudável tem impacto direto no bem-estar

Getty Images
O prazer e o orgasmo liberam hormônios responsáveis pela diminuição do estresse e pela melhora do sono
3 de 5

O prazer e o orgasmo liberam hormônios responsáveis pela diminuição do estresse e pela melhora do sono

Getty Images
É possível manter a sexualidade ativa e saudável até a terceira idade
4 de 5

É possível manter a sexualidade ativa e saudável até a terceira idade

Getty Images
No sexo, tudo é liberado desde que com total consentimento de todos os envolvidos e segurança
5 de 5

No sexo, tudo é liberado desde que com total consentimento de todos os envolvidos e segurança

Getty Images

Outra pesquisa, esta realizada no Brasil, pelo aplicativo de relacionamento Happn e pela marca brasileira de sex care Pantynova, mostrou que menos da metade das mulheres relatam chegar ao orgasmo de forma consistente durante o sexo, enquanto mais de 70% dos homens afirmam o contrário.

A diferença se torna ainda mais evidente quando comparamos as experiências solo: enquanto mais de 80% das mulheres dizem sempre atingir o clímax na masturbação, apenas 35% relatam chegar lá durante o sexo com um parceiro. A pesquisa também revelou que, em média, 7% das mulheres nunca tiveram um orgasmo.

Mas, por que isso ocorre?

Antes de aprofundar a discussão, vale lembrar dois pontos essenciais. O primeiro é que o orgasmo não precisa ser tratado como linha de chegada obrigatória da relação sexual. O prazer pode existir de muitas formas, e reduzir a experiência íntima a um único momento final é limitar suas possibilidades. O segundo é que a ideia de que a penetração, sozinha, deveria ser suficiente para levar ao clímax não corresponde à realidade da maioria das mulheres.

Quando o orgasmo parece distante ou raro, um passo importante pode ser o investimento no autoconhecimento. Explorar o próprio corpo, entender quais estímulos despertam mais prazer e reconhecer seus limites ajuda a construir segurança e autonomia. A partir desse processo, torna-se mais fácil comunicar preferências e necessidades na relação com outra pessoa.

Dia 8 de Março: goze como uma mulher - destaque galeria
6 imagens
O orgasmo feminino é caracterizado por sensações intensas de prazer e contrações musculares rítmicas na região pélvica
O orgasmo é um fenômeno subjetivo, com experiências variando de pessoa para pessoa
Além de gostoso, traz benefícios para a saúde
Ter orgasmos interfere positivamente no bem-estar
O orgasmo contribui para o bem-estar físico e psicológico, com efeitos positivos no humor e na autoestima
O orgasmo é o ápice da resposta sexual
1 de 6

O orgasmo é o ápice da resposta sexual

Getty Images
O orgasmo feminino é caracterizado por sensações intensas de prazer e contrações musculares rítmicas na região pélvica
2 de 6

O orgasmo feminino é caracterizado por sensações intensas de prazer e contrações musculares rítmicas na região pélvica

oleg66/Getty Images
O orgasmo é um fenômeno subjetivo, com experiências variando de pessoa para pessoa
3 de 6

O orgasmo é um fenômeno subjetivo, com experiências variando de pessoa para pessoa

Getty Images
Além de gostoso, traz benefícios para a saúde
4 de 6

Além de gostoso, traz benefícios para a saúde

Ter orgasmos interfere positivamente no bem-estar
5 de 6

Ter orgasmos interfere positivamente no bem-estar

Getty Images
O orgasmo contribui para o bem-estar físico e psicológico, com efeitos positivos no humor e na autoestima
6 de 6

O orgasmo contribui para o bem-estar físico e psicológico, com efeitos positivos no humor e na autoestima

Getty Images

Segundo a psicóloga e sexóloga Ana Paula Nascimento, a raiz da questão também é cultural. Ela destaca que fomos socializados em um modelo que coloca o pênis e a penetração no centro da narrativa sexual. “Há uma construção social que reforça a penetração como momento máximo do sexo. No entanto, do ponto de vista biológico, a maior parte das mulheres não atinge o orgasmo apenas com a estimulação vaginal”, explica.

Já o ginecologista César Patez ressaltou que o chamado “gap” do orgasmo pode envolver uma combinação de fatores. Entre eles, estão educação sexual insuficiente, tabus internalizados, sobrecarga emocional, estresse, inseguranças relacionadas ao corpo, rotina exaustiva e falhas no diálogo entre o casal. Em outras palavras, não se trata apenas de uma questão física, mas de um fenômeno atravessado por aspectos emocionais, sociais e relacionais.

O profissional aponta, ainda, que a masturbação é vista como um “caminho mais seguro” para mulheres chegarem ao orgasmo por que o estímulo é direcionado. “Isso ocorre devido ao controle do estímulo ser total, permitindo que se concentrem em zonas erógenas mais sensíveis, principalmente; e não sofre efeitos de fatores externos, como preocupação de agradar o parceiro.”

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?