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De ex-pastora a sexóloga: influencer se reinventa e quebra tabus
Dominique Siqueira começou a vida como pastora e, com passar do tempo, se tornou sexóloga; saiba mais sobre a vida da profissional
atualizado
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A transição de uma vida dedicada à liderança religiosa para a atuação na área da sexualidade pode parecer, à primeira vista, uma ruptura radical. No caso de Dominique Siqueira, no entanto, o caminho foi construído aos poucos — e guiado por experiências pessoais e profissionais que redesenharam sua trajetória.
Dominique começou sua carreira como pastora, mas, com o tempo, passou a buscar novos direcionamentos. A primeira grande mudança veio com a decisão de migrar para a área da educação, ao se formar em pedagogia. “Essa transição já representava uma mudança importante na forma como eu me posicionava profissionalmente”, explica.
O ponto de virada aconteceu durante a pandemia, quando ela abriu uma loja on-line e passou a lidar diretamente com demandas ligadas à sexualidade, especialmente de mulheres.
A experiência prática despertou um novo interesse e levou à especialização na área. “Não foi uma ruptura brusca, e sim uma construção ao longo do tempo, um caminho que foi se desenhando conforme eu me reconectava com meus interesses, minha vivência e meu propósito profissional”, afirma.
Apesar da mudança de atuação, a espiritualidade segue presente em sua vida, ainda que de forma diferente. Hoje, Dominique afirma não se identificar com uma religião específica, mas mantém uma relação pessoal com a fé. “Eu me considero até mais espiritual do que antes, porque essa conexão não está mais baseada em regras, mas em presença e consciência”, diz.

Essa vivência, segundo ela, se tornou um diferencial no trabalho como sexóloga. Ao atender pessoas que também vêm de contextos religiosos, Dominique consegue compreender conflitos relacionados à culpa e à repressão sexual. “Consigo unir conhecimento técnico com experiência de vida para ajudar essas pessoas a se libertarem de crenças e viverem a sexualidade de forma mais leve”, destaca.
A reinvenção, no entanto, não aconteceu sem resistência. A mudança de identidade profissional gerou julgamentos, principalmente de pessoas que acompanhavam sua trajetória anterior. “Existe um choque muito grande quando alguém rompe com uma identidade tão forte socialmente, como a de uma líder religiosa”, relata.

Ainda assim, o retorno positivo de quem se sente representado tem sido um incentivo para seguir. Ela relata receber muitas mensagens de pessoas que se sentiram acolhidas e até libertas ao ouvir sua história.
No dia a dia, Dominique também se depara com mitos recorrentes, especialmente entre pessoas que cresceram em ambientes religiosos. Entre os principais, está a associação entre prazer e culpa. “Muitas pessoas foram ensinadas que o desejo é algo errado ou pecaminoso, e isso impacta diretamente seus relacionamentos”, explica.
Outro ponto frequente é a dificuldade em falar sobre o próprio corpo e sexualidade, o que pode gerar inseguranças e bloqueios. Para ela, o trabalho como sexóloga passa justamente pela desconstrução dessas ideias. “O objetivo é trazer informação, consciência e autonomia para que cada pessoa possa viver sua sexualidade de forma saudável e sem culpa.”
Ao transformar sua própria história em ferramenta de escuta e acolhimento, Dominique Siqueira constrói uma nova narrativa — em que fé, conhecimento e liberdade caminham juntos, ainda que por caminhos diferentes dos que percorreu no início.


















