
Paulo CappelliColunas

Tutor denuncia hotel por usar coleira de choque em seu cachorro
Tutor denuncia hotel para pets em Brasília por uso de coleira de choque em cachorro de 3 anos resgatado após sofrer maus-tratos
atualizado
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O representante comercial Gabriel Valente denunciou o hotel Cão Anjo, localizado em Brasília, por ter colocado uma coleira de choque elétrico em seu cachorro, Jorge, durante o período de hospedagem. Segundo ele, o estabelecimento usou o equipamento de adestramento sem autorização prévia e causou sofrimento ao animal.
Gabriel deixou seu cão sob os cuidados do hotel entre os dias 23 e 26 de abril, período no qual festejou o casamento com sua esposa. Ao retornar para buscá-lo, afirmou ter encontrado o cão com o dispositivo eletrônico no pescoço. De acordo com o relato, o animal de 3 anos demonstrou abatimento após a estadia no hotel.
“Quando eles abriram o portão, eu entrei e vi que o Jorge estava usando uma coleira com pino de choque. Nada nos garante que eles não usaram a função de choque. A gente nunca utilizou essa metodologia com o animal, porque entende o contexto dele”, relatou à coluna. “Percebemos ele um pouco mais amuado, quietinho na dele. Na hora que eu pego a coleira [elétrica], ele começa a chorar, percebe alguma coisa agressiva”.
De acordo com Gabriel, Jorge sofreu maus-tratos e abandono antes de ser adotado por ele e por sua mulher, o que gerou um comportamento recorrente de medo e ansiedade no trato com estranhos. A condição, segundo o tutor, teria sido ignorada pelo estabelecimento.
“Eu só pedi para retirarem o cachorro logo. Eles tentaram esconder a coleira. Eu falei: não, eu quero meu cachorro agora. Trouxe o equipamento para casa e, no dia seguinte, questionamos o hotel, já que não solicitamos nenhum tipo de adestramento e não concordamos com métodos que gerem violência”, afirmou.
Segundo o tutor, ao ser questionado, o responsável pelo Cão Anjo admitiu ter recorrido ao dispositivo sem consultar os donos do animal. “Eles responderam que usaram a coleira no Jorge sem autorização. E, ao questionarmos, ainda nos chamaram de prepotentes, disseram que somos leigos”, acrescentou.
Em conversas por WhatsApp apresentadas por Gabriel, o hotel justifica o uso do dispositivo. “O equipamento pode ser utilizado em três funções: sonora, vibração e impulsão. Pode corrigir ou cessar comportamentos inconvenientes ou nocivos ao cão, podendo até salvar a vida do animal. Tem a função anti-latidos, que foi o motivo de ser equipado ao Jorge, considerando o fator de ser um animal extremamente medroso”, diz a mensagem atribuída ao estabelecimento.
Em outro trecho, o responsável pelo hotel escreveu: “Você disse que não solicitou adestramento, apenas hospedagem. E como você acha possível socializar animais sem adestrá-los? Leigos entendem que adestrar é só comandos e petisco, e por isso temos tantos problemas com animais hoje”.
Projeto de lei proíbe o uso
A coleira eletrônica para cães, também chamada de coleira de adestramento ou “anti-latido”, funciona por meio da emissão de estímulos controlados para corrigir comportamentos considerados indesejados. Esses estímulos variam conforme o modelo e a finalidade. Especialistas alertam que, mesmo com baixa corrente, o equipamento pode causar dor, medo ou estresse, especialmente em cães pequenos, idosos ou ansiosos.
No Congresso Nacional, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) aprovou, em fevereiro, um projeto de lei que proíbe o uso, o comércio, a fabricação e a importação de coleiras que causem choque elétrico, enforcamento ou ferimentos em animais (PL 1146/2023).
A proposta original restringia a proibição aos animais domésticos. No entanto, a relatoria ampliou a vedação para todos os animais, sob o argumento de que há evidências de que esses equipamentos provocam dor e danos psicológicos.
Se houver caracterização de maus-tratos, o responsável poderá ser condenado a até cinco anos de prisão, conforme prevê o texto em tramitação. Caso seja aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o projeto seguirá para análise da Câmara dos Deputados.
Até o momento de publicação da reportagem, o hotel Cão Amigo não havia se posicionado sobre a denúncia. O espaço segue aberto para manifestações.
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