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Mirelle Pinheiro

Veja como a Marinha forma mergulhadores de elite e combate o tráfico. Veja vídeo

A formação dos mergulhadores é uma das mais exigentes da Marinha. Aproximadamente metade dos alunos não consegue completar o curso

20/06/2026 03:54
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Marinha/Divulgação
Veja como a Marinha forma mergulhadores de elite e combate o tráfico

A cerca de 10 metros de profundidade, em meio à água turva e sob os cascos de gigantescos cargueiros com destino à Europa e à Ásia, mergulhadores da Marinha do Brasil enfrentam uma nova estratégia do tráfico internacional de drogas: esconder carregamentos de cocaína em compartimentos do casco conhecidos como sea chests ou caixas de mar, estruturas utilizadas para captar água e refrigerar o maquinário das embarcações.

Desde 2020, os militares do Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Sul-Sudeste (ComGptPatNavSSE), em Santos (SP), já contribuíram para a apreensão de mais de quatro toneladas de drogas em cerca de 300 navios mercantes abordados em operações realizadas em conjunto com a Polícia Federal e a Receita Federal.

A mais recente ocorreu em maio deste ano, no Porto de Santos. Durante a inspeção do navio mercante Green K-Max 1, os mergulhadores localizaram mais de 340 quilos de cocaína escondidos em uma dessas cavidades submersas.

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Divulgação / Polícia Federal
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Segundo um mergulhador escafandrista, que atua há 23 anos na especialidade e teve a identidade preservada por questões de segurança, uma das maiores apreensões aconteceu em abril de 2023, quando os militares encontraram 780 quilos de drogas em uma única embarcação.

Trabalho em ambiente hostil

Embora o combate ao narcotráfico seja uma missão relativamente recente para os escafandristas, atuar embaixo d’água em ambientes complexos faz parte da rotina desses militares.

“Nossa atividade diária é operar sob os cascos dos navios da Marinha para executar reparos e manutenções. Somos referência nesse tipo de operação”, explica o capitão de corveta e mergulhador escafandrista Phillip da Silva Mendes, encarregado da Seção de Mergulho a Ar do Centro de Instrução e Adestramento Almirante Áttila Monteiro Aché (Ciama).

O oficial afirma que as abordagens a cargueiros se tornaram cada vez mais frequentes, a ponto de o tema passar a integrar os cursos de formação dos mergulhadores da Força.

Além da busca por drogas, os militares são treinados em técnicas de salvamento, corte e solda submarina, resgate a partir de navios e aeronaves e diferentes modalidades de mergulho.

Metade desiste no caminho

A formação dos escafandristas é uma das mais exigentes da Marinha. Segundo Phillip Mendes, aproximadamente metade dos alunos não consegue concluir o curso.

“Os candidatos são submetidos a diversos testes debaixo d’água, muitas vezes com privação da respiração e tempo reduzido para executar as tarefas. O controle emocional e o domínio do ambiente aquático são fundamentais”, explica.

Antes mesmo de iniciar a especialização, os militares passam por uma rigorosa seleção que inclui exames médicos, avaliações psicológicas e provas físicas.

Em um único dia, precisam cumprir provas de corrida, natação de 800 metros, natação de 50 metros, apneia dinâmica e estática, além de exercícios de força.

Segundo a Marinha, são necessários cerca de 12 meses para formar um profissional apto a atuar em operações subaquáticas.

Prontos para qualquer missão

Após a formação, os escafandristas podem ser designados para unidades espalhadas por todo o país, onde executam missões que vão desde salvamento de vidas e embarcações até reparos submarinos e apoio a operações de combate ao crime organizado.

“O treinamento rigoroso faz com que nossos mergulhadores consigam atuar em grandes adversidades, muitas vezes com recursos limitados. Isso nos tornou referência tanto no meio militar quanto no civil”, afirma o oficial.