Mirelle Pinheiro

Unafisco diz que STF criou “falso positivo” contra auditor

Em entrevista à coluna, Kleber Cabral afirmou estar preocupado e assustado com as medidas cautelares impostas a Ricardo Mansano

atualizado

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Kleber Cabral
1 de 1 Kleber Cabral - Foto: Linkedin/Reprodução

Em entrevista à coluna, Kleber Cabral (foto em destaque), diretor da Unafisco Nacional, afirmou que o auditor fiscal Ricardo Mansano de Moraes foi alvo de um “falso positivo” na investigação que apura acessos ilegais a dados fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares.

Mansano é investigado em inquérito que apura consultas sem autorização ou justificativa funcional a informações fiscais protegidas.

Segundo Cabral, a apuração teria partido de questionamentos do ministro Alexandre de Moraes, que teria solicitado verificação de movimentações consideradas suspeitas envolvendo inclusive parentes de terceiro grau, sem indicar de forma precisa à Receita Federal quais dados teriam motivado a desconfiança.

“Se o ministro estava estranhando a imprensa dando informações, o normal seria ir na Receita verificar, a Receita iria apurar, faria uma apuração administrativa. O Flávio Bolsonaro já fez isso, e esse tipo de apuração é legítima; a Receita deveria ter questionado qual dado vazou”, afirmou Cabral.

Ainda segundo o diretor da entidade, o caso teria sido tratado de forma desproporcional. “Foi um falso positivo. Ele acessou, não devia ter acessado, mas foi olhar se uma pessoa conhecida era ex-esposa de um amigo, porque tinham o mesmo sobrenome, tanto que ele foi olhar em 2008, porque foi o período que o casal estava junto. Se fosse pelo vazamento, ele não iria olhar em 2008, se é um caso de 2026”, disse.

Tornozeleira e medidas cautelares

Por decisão de Moraes, relator do caso no STF, o auditor foi alvo de mandado de busca e apreensão, teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados e está proibido de deixar a cidade onde mora. Além disso, deverá cumprir recolhimento domiciliar noturno e aos fins de semana, teve o passaporte apreendido e passou a usar tornozeleira eletrônica.

Cabral relatou que conversou com o auditor no dia da operação e que ele está abalado. “Uma pessoa que nunca teve processo nenhum, de repente receber a PF em casa às 6h e se ver usando uma tornozeleira é desproporcional”, declarou.

Atualmente, Mansano está lotado na Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto (SP), mas foi afastado das funções após a operação.

Servidor há 30 anos

Entre os investigados, ele é o que recebe o maior salário. Conforme apurado pela coluna, Mansano chegou a receber R$ 51 mil em dezembro de 2025.

Ele ingressou no serviço público em 27 de novembro de 1995 e, atualmente, recebe salário de R$ 38.261,86. No entanto, o valor pode aumentar significativamente em razão de indenizações e gratificações, como ocorreu em dezembro.

O histórico

O nome dele consta em diversas edições do Diário Oficial da União (DOU), em atos de nomeação e convocação administrativa, desde a década de 1990.

Ao longo da carreira, atuou no Ministério da Fazenda e no Ministério da Economia.

Os outros investigados

Os outros três servidores na mira do inquérito são Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento e Ruth Machado dos Santos.

O primeiro ocupa, desde 1981, o cargo de técnico do Serpro, com salário mensal de R$ 12.778,82.

Luciano Pery Santos Nascimento é técnico do Seguro Social, lotado na Delegacia da RFB em Salvador, e recebe R$ 11.517,49 mensais.

Ruth Machado dos Santos atua como técnica do Seguro Social na Delegacia da RFB em Santos (SP), ingressou no órgão em abril de 1994 e recebe salário de R$ 11.128,16.

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