Mirelle Pinheiro

“Sem grana”: empresário diz que deputada queria 70% na fraude do INSS

O conteúdo indica que havia desacordo entre os integrantes do grupo sobre a partilha dos valores

atualizado

metropoles.com

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1 de 1 deputada-gorete - Foto: Reprodução

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) mostram que o esquema bilionário de fraudes no INSS também era marcado por disputas internas entre seus principais operadores.

Diálogos obtidos no desdobramento da Operação Sem Desconto, deflagrada na manhã desta terça-feira (17/3), mostram o empresário Natjo de Lima Pinheiro, apontado como operador financeiro da organização, reclamando da divisão dos lucros com a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE).

“Estou ficando sem grana. A Gorete quer ficar com 70% da entidade”, escreveu Natjo em uma das mensagens analisadas pela investigação.

O conteúdo indica que havia desacordo entre os integrantes do grupo sobre a partilha dos valores obtidos por meio dos descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas.

Estrutura do grupo

As investigações apontam que Natjo atuava como responsável pela engrenagem financeira do esquema, coordenando pagamentos, cobrando planilhas e articulando repasses, inclusive de propinas.

Já Maria Gorete Pereira, segundo a apuração, utilizava sua posição política para viabilizar acordos com o INSS e manter interlocução com autoridades, garantindo o funcionamento das associações envolvidas.

O nome da deputada aparece, inclusive, em uma tabela de distribuição de valores apreendida pela Polícia Federal, com indicação de repasse de R$ 780.433,50.

A investigação aponta que o grupo utilizava dados falsos inseridos em sistemas oficiais para autorizar descontos diretamente nos benefícios de aposentados, muitas vezes sem qualquer consentimento das vítimas.

O esquema pode ter movimentado bilhões de reais em todo o país.

Em nota divulgada por sua assessoria, a deputada afirma que “não praticou qualquer ato ilícito e que as informações divulgadas não refletem a realidade dos fatos”.

“Sua trajetória pública de mais de 40 anos sempre foi pautada pela integridade. A parlamentar informa que sua defesa já analisa o teor da decisão; Confiante no devido processo legal, a deputada reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência”, finalizou

Também foi informado que o advogado Waldir Xavier, que defende a deputada, se manifestará oportunamente após análise detalhada do caso.

Operação

A Operação Indébito, deflagrada nesta terça-feira (17/3), é um desdobramento da investigação revelada pelo Metrópoles.

Ao todo, são cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, além de prisões e outras medidas cautelares no Distrito Federal e no Ceará.
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A peça de alto padrão é vendida por grifes por cerca de US$ 75 mil, o que equivale, atualmente, a aproximadamente R$ 389 mil.
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Os investigados podem responder por organização criminosa, estelionato previdenciário, lavagem de dinheiro e inserção de dados falsos em sistemas públicos.

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