Mirelle Pinheiro

“Lavanderia jurídica”: escritório bancava propina na cúpula do INSS

A advogada Cecília Rodrigues, presa nesta terça (17/3), repassou propinas ao escritório de advocacia do filho de um ex-diretor do INSS

atualizado

metropoles.com

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Reprodução/TV Senado
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1 de 1 frame-eric-fidelis-cpmi-inss-depoimento1 - Foto: Reprodução/TV Senado

As investigações da Polícia Federal (PF), no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura fraudes previdenciárias, lavagem de dinheiro e corrupção no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), trouxeram à tona indícios de ligação direta entre a advogada Cecília Rodrigues Mota, presa nesta terça-feira (17/3), e Eric Douglas Martins Fidelis (foto em destaque), filho de André Fidelis, ex-diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão do INSS. O caso foi revelado pelo Metrópoles.

Os levantamentos apontam pagamentos realizados por Cecília, responsável na engrenagem criminosa pela operacionalização das propinas, por meio do escritório de advocacia do filho de André, o “Eric Fidelis Sociedade Individual de Advocacia”.

Além de Eric, os subornos teriam sido direcionados a André Fidelis e a Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, então procurador-geral da Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS. A ligação foi constatada por meio de mensagens obtidas a partir da apreensão do aparelho celular de Cecília.

“Bora comprar um jatinho?”

As mensagens acessadas pela investigação também revelam interesse por parte dos investigados em usar os valores obtidos de forma ilícita para ostentar.

Em uma conversa de WhatsApp, Cecília teria tentado convencer Mano Barreto a, assim como Natjo de Lima Pinheiro, comprar um jatinho.

“Deixa de fazer corpo mole. Vai atrás desse negócio, bora comprar um jatinho. O Natjo já vai comprar um jato. ‘Vambora entrar na fila?’ Vamos ver se consegue aí o negócio, rapaz, pra gente?”, declarou a mulher.

Os investigados

Natjo Pinheiro é empresário do setor de saúde, apontado pela Justiça como um dos principais operadores do esquema. Segundo a investigação, ele atuava na gestão das associações e no fluxo financeiro de valores considerados elevados, provenientes dos descontos indevidos. Ele foi preso na operação desta terça-feira.

O esquema pode ter movimentado bilhões de reais e atingido beneficiários em diversas regiões do país.Pilhas de dinheiro

Durante o cumprimento de mandados nesta terça (17), a PF achou pilhas de dinheiro vivo e carros de luxo em endereços ligados aos investigados da Operação Indébito, ação que investiga fraudes em aposentadorias e pensões do INSS.

A coluna apurou que as pilhas de dinheiro foram encontradas com Igor Oliveira Freitas, apontado como secretário pessoal da advogada Cecília Rodrigues Mota, considerada uma das líderes da organização criminosa e presa na manhã desta terça.

Segundo as investigações, Igor atuava diretamente na logística e nas operações do esquema, sendo responsável por movimentações financeiras e apoio à principal investigada.

A operação também tem como um dos alvos a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE), que deverá cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

De acordo com a apuração, Gorete teria ligação com uma das associações investigadas e recebeu procuração para firmar acordos com o INSS, o que permitia a implementação de descontos diretamente nos benefícios de aposentados.

Em nota divulgada por sua assessoria, a deputada afirma que “não praticou qualquer ato ilícito e que as informações divulgadas não refletem a realidade dos fatos”.

“Sua trajetória pública de mais de 40 anos sempre foi pautada pela integridade. A parlamentar informa que sua defesa já analisa o teor da decisão; Confiante no devido processo legal, a deputada reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência”, finalizou.

Também foi informado que o advogado Waldir Xavier, que defende  a deputada, se manifestará oportunamente após análise detalhada do caso.

Operação

A PF cumpre 19 mandados de busca e apreensão, além de prisões e outras medidas cautelares no Distrito Federal e no Ceará.

Os investigados podem responder por organização criminosa, estelionato previdenciário, lavagem de dinheiro e inserção de dados falsos em sistemas públicos.

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A peça de alto padrão é vendida por grifes por cerca de US$ 75 mil, o que equivale, atualmente, a aproximadamente R$ 389 mil.
Não foi revelado em posse de quem as bolsas estavam
Também foram apreendidos aparelhos eletrônicos
As medidas foram cumpridas no Ceará e no DF
Duas pessoas foram presas
A coluna apurou que um dos objetos de luxo sequestrados trata-se de uma bolsa Hermés Birkin de couro de crocodilo
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Divulação/PF
A peça de alto padrão é vendida por grifes por cerca de US$ 75 mil, o que equivale, atualmente, a aproximadamente R$ 389 mil.
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A peça de alto padrão é vendida por grifes por cerca de US$ 75 mil, o que equivale, atualmente, a aproximadamente R$ 389 mil.

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Não foi revelado em posse de quem as bolsas estavam
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Não foi revelado em posse de quem as bolsas estavam

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As medidas foram cumpridas no Ceará e no DF
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