
Mirelle PinheiroColunas

Desconto no INSS: PF prende operadores e mira deputada; veja quem são
Entre os principais alvos da Operação Indébito, deflagrada nesta terça-feira (17/3), está a ex-deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB)
atualizado
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A coluna apurou que, entre os principais alvos da Operação Indébito, deflagrada nesta terça-feira (17/3) e que investiga fraudes em aposentadorias e pensões do INSS, está a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE), que deverá cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
A ação é um desdobramento da Operação Sem Desconto, esquema revelado pelo Metrópoles, que investiga a inclusão de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas em todo o país.
Veja quem são os alvos
- Maria Gorete Pereira: deputada federal e fisioterapeuta, Gorete é apontada como ligada a uma das associações investigadas. Segundo a apuração, ela recebeu procuração da Aapen, com poderes para firmar acordo com o INSS. Na prática, isso lhe garantia ampla autonomia para viabilizar descontos diretamente nos benefícios de aposentados. A investigação também aponta que ela movimentou cerca de R$ 245 mil em transações consideradas suspeitas entre 2018 e 2023.
- Natjo de Lima Pinheiro: empresário do setor de saúde, é apontado pela Justiça como um dos principais operadores do esquema. Segundo a investigação, ele atuava na gestão das associações e no fluxo financeiro de valores considerados elevados, provenientes dos descontos indevidos. Ele foi preso na operação desta terça-feira.
- Cecília Rodrigues Mota: advogada, também presa na ação, é apontada como integrante do núcleo operacional. De acordo com a PF, ela atuava ao lado de Natjo na estrutura do esquema, com uso de intermediários para movimentações financeiras.
As investigações indicam que o grupo utilizava dados falsos inseridos em sistemas oficiais para autorizar cobranças diretamente nos contracheques de aposentados, muitas vezes sem qualquer consentimento das vítimas.
O esquema pode ter movimentado bilhões de reais e atingido beneficiários em diversas regiões do país.
Em nota divulgada por sua assessoria, a deputada afirma que “não praticou qualquer ato ilícito e que as informações divulgadas não refletem a realidade dos fatos”.
“Sua trajetória pública de mais de 40 anos sempre foi pautada pela integridade. A parlamentar informa que sua defesa já analisa o teor da decisão; Confiante no devido processo legal, a deputada reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência”, finalizou.
Também foi informado que o advogado Waldir Xavier, que defende a deputada, se manifestará oportunamente após análise detalhada do caso.
Operação
A PF cumpre 19 mandados de busca e apreensão, além de prisões e outras medidas cautelares no Distrito Federal e no Ceará.
Os investigados podem responder por organização criminosa, estelionato previdenciário, lavagem de dinheiro e inserção de dados falsos em sistemas públicos.
A coluna procurou a defesa da ex-deputada, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.












