Mirelle Pinheiro

INSS: investigados combinaram compra de jatinho com dinheiro de fraude

Troca de mensagens acessadas pela investigação revela interesse dos suspeitos em usar o dinheiro ilícito em ostentação

atualizado

metropoles.com

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1 de 1 montagem-inssjpg - Foto: Arte/Metrópoles

Trocas de mensagens acessadas pela investigação no campo da Operação Sem Desconto, que apura a prática de fraudes previdenciárias, lavagem de dinheiro e corrupção no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), revelam interesse, por parte dos investigados, em usar os valores obtidos de forma ilícita para ostentar.

Na manhã desta terça-feira (17/3), a deputada federal e fisioterapeuta Maria Gorete Pereira (MDB-CE) foi alvo da Polícia Federal (PF). O esquema, revelado pelo Metrópoles, investiga a inclusão de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas em todo o país.

Em uma conversa de WhatsApp, a empresária Cecília Rodrigues Mota teria tentado convencer Mano Barreto a, assim como Natjo de Lima Pinheiro, comprar um jatinho.

“Deixa de fazer corpo mole. Vai atrás desse negócio, bora comprar um jatinho. O Natjo já vai comprar um jato. Vambora entrar na fila? Vamos ver se consegue aí o negócio, rapaz, pra gente?”, declarou a mulher.

Os investigados

Natjo Pinheiro é empresário do setor de saúde, apontado pela Justiça como um dos principais operadores do esquema. Segundo a investigação, ele atuava na gestão das associações e no fluxo financeiro de valores considerados elevados, provenientes dos descontos indevidos. Ele foi preso na operação desta terça-feira.

Já Cecília Mota, empresária e advogada também presa na ação, é apontada como integrante do núcleo operacional. De acordo com a PF, ela atuava ao lado de Natjo na estrutura do esquema, com uso de intermediários para movimentações financeiras.

O esquema

As investigações indicam que o grupo utilizava dados falsos inseridos em sistemas oficiais para autorizar cobranças diretamente nos contracheques de aposentados, muitas vezes sem consentimento das vítimas.

O esquema pode ter movimentado bilhões de reais e atingido beneficiários em diversas regiões do país.

Pilhas de dinheiro

Durante o cumprimento de mandados nesta terça (17/3), a PF achou pilhas de dinheiro vivo e carros de luxo em endereços ligados aos investigados da Operação Indébito, que investiga fraudes em aposentadorias e pensões do INSS. 

A coluna apurou que as pilhas de dinheiro foram encontradas com Igor Oliveira Freitas, apontado como secretário pessoal da advogada Cecília Rodrigues Mota, considerada uma das líderes da organização criminosa e presa na manhã desta terça.

Segundo as investigações, Igor atuava diretamente na logística e nas operações do esquema, como responsável por movimentações financeiras e apoio à principal investigada.

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A peça de alto padrão é vendida por grifes por cerca de US$ 75 mil, o que equivale, atualmente, a aproximadamente R$ 389 mil.
Não foi revelado em posse de quem as bolsas estavam
Também foram apreendidos aparelhos eletrônicos
As medidas foram cumpridas no Ceará e no DF
Duas pessoas foram presas
A coluna apurou que um dos objetos de luxo sequestrados trata-se de uma bolsa Hermés Birkin de couro de crocodilo
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A coluna apurou que um dos objetos de luxo sequestrados trata-se de uma bolsa Hermés Birkin de couro de crocodilo

Divulação/PF
A peça de alto padrão é vendida por grifes por cerca de US$ 75 mil, o que equivale, atualmente, a aproximadamente R$ 389 mil.
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A peça de alto padrão é vendida por grifes por cerca de US$ 75 mil, o que equivale, atualmente, a aproximadamente R$ 389 mil.

Divulação/PF
Não foi revelado em posse de quem as bolsas estavam
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Não foi revelado em posse de quem as bolsas estavam

Divulação/PF
Também foram apreendidos aparelhos eletrônicos
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Também foram apreendidos aparelhos eletrônicos

Divulação/PF
As medidas foram cumpridas no Ceará e no DF
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As medidas foram cumpridas no Ceará e no DF

Divulação/PF
Duas pessoas foram presas
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Duas pessoas foram presas

Divulação/PF

 

Operação

A PF cumpre 19 mandados de busca e apreensão, além de prisões e outras medidas cautelares, no Distrito Federal e no Ceará.

Os investigados podem responder por organização criminosa, estelionato previdenciário, lavagem de dinheiro e inserção de dados falsos em sistemas públicos.

Em nota divulgada por sua assessoria, a deputada afirma que “não praticou qualquer ato ilícito e que as informações divulgadas não refletem a realidade dos fatos”.

“Sua trajetória pública de mais de 40 anos sempre foi pautada pela integridade. A parlamentar informa que sua defesa já analisa o teor da decisão. Confiante no devido processo legal, a deputada reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência”, finalizou.

Também foi informado que o advogado Waldir Xavier, que defende a deputada, deve se manifestar oportunamente, após análise detalhada do caso.

 

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