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Mirelle Pinheiro

Sargento dirigia carro oficial ao ser flagrado com arma de Bolsonaro

A ocorrência foi registrada pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), nessa segunda-feira (15/6)

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Fábio Vieira/ Metrópoles
Jair Bolsonaro - Metrópoles

O sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho, flagrado com uma arma registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), estava em um carro oficial no momento da abordagem. A ocorrência foi registrada na noite dessa segunda-feira (15/6), no Pistão Norte, em Taguatinga.

Durante a abordagem, Estácio apresentou documentação referente ao porte funcional e informou imediatamente aos policiais que a arma, uma pistola Glock 9mm, pertenceria ao ex-presidente. Ele também se identificou como integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

O órgão, no entanto, afirmou que não realiza a segurança de ex-presidentes. Segundo eles, sua atuação se limita à capacitação e à avaliação de servidores e condutores de veículos que integram as equipes responsáveis pela segurança de ex-Presidentes da República.

“Os servidores à disposição dos ex-Presidentes são de livre indicação dos mesmos e não estão subordinados nem vinculados operacionalmente ao GSI”, disse em nota.

Em depoimento, o sargento afirmou que havia retirado o armamento para realizar um reparo mecânico após identificar uma pane que, segundo ele, seria de simples solução. O problema estaria relacionado ao percussor da arma.

Ainda de acordo com sua versão, a arma foi retirada na segunda-feira (15) e seria devolvida ao proprietário nesta terça-feira (16), após a conclusão do conserto.

A ocorrência foi registrada na 21ª Delegacia de Polícia, que deverá apurar as circunstâncias da posse da arma, a regularidade do transporte do armamento, a documentação apresentada pelo militar.

Prisão domiciliar

O ex-presidente Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado, Bolsonaro começou a cumprir pena em novembro de 2025.

Inicialmente custodiado na Superintendência da Polícia Federal, ele foi posteriormente transferido para uma Sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.

Em março deste ano, o ex-presidente apresentou um quadro de broncopneumonia aspirativa após um episódio de mal-estar durante a noite e precisou ser internado no Hospital DF Star, em Brasília.

A defesa então voltou a pedir a concessão de prisão domiciliar humanitária, alegando a necessidade de monitoramento médico constante e atendimento imediato em caso de complicações. Laudos apresentados aos autos apontaram que, embora o quadro clínico estivesse estável, Bolsonaro necessitava de acompanhamento contínuo durante o tratamento, posição que recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.

Ao conceder a medida, o ministro Alexandre de Moraes destacou que o sistema prisional vinha garantindo atendimento adequado ao ex-presidente, mas considerou que a situação de saúde justificava uma excepcionalidade temporária.

A prisão domiciliar foi fixada inicialmente por 90 dias, contados a partir da alta médica, e deverá ser cumprida integralmente na residência de Bolsonaro, com monitoramento por tornozeleira eletrônica. Ele está proibido de utilizar celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa, inclusive por intermédio de terceiros. O descumprimento das restrições poderá resultar na revogação do benefício e no retorno ao regime fechado.