Militar do Exército é liberado após ser flagrado com arma de Bolsonaro
Em depoimento, o militar afirmou que havia retirado o armamento para realizar um reparo no percussor, após constatar uma pane mecânica

Um sargento do Exército Brasileiro, identificado como Estácio, foi liberado após prestar depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal por estar na posse de uma arma registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro, conforme revelou a coluna.
O militar foi abordado durante uma blitz da Polícia Militar na região do Pistão Norte, em Taguatinga, e conduzido à 21ª Delegacia de Polícia para esclarecimentos. Apesar de não ter sido preso em flagrante, a pistola permaneceu apreendida e o caso segue sob investigação.
Segundo o registro da ocorrência, o militar se identificou como integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e informou aos policiais que a arma pertencia a Bolsonaro.
Em depoimento, ele afirmou que havia retirado o armamento para realizar um reparo no percussor, após constatar uma pane mecânica. De acordo com sua versão, o serviço seria concluído e a pistola, devolvida ao ex-presidente no dia seguinte.
O fato chamou a atenção dos investigadores porque o armamento estava registrado em nome de Bolsonaro, mas se encontrava sob a posse de um terceiro no momento da abordagem.
A Polícia Civil apura se houve alguma irregularidade relacionada à guarda, ao transporte ou à transferência temporária da arma. A documentação apresentada pelo militar também será analisada no curso da investigação.
Prisão domiciliar
O episódio ocorre enquanto Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por organização criminosa armada, golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado.
A prisão domiciliar foi autorizada após Bolsonaro desenvolver um quadro de broncopneumonia aspirativa. Pela decisão do STF, ele deve permanecer em sua residência por 90 dias, sob monitoramento por tornozeleira eletrônica. O ex-presidente também está proibido de utilizar celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa, direta ou indiretamente, sob pena de retorno ao regime fechado.
Até o momento, não há indicação de que Bolsonaro tenha participado diretamente dos fatos investigados na ocorrência envolvendo a arma. A Polícia Civil busca esclarecer apenas as circunstâncias em que o armamento registrado em seu nome foi encontrado na posse do sargento do Exército durante a fiscalização da PM no Distrito Federal.




