
Mirelle PinheiroColunas

Policial do DF em ameaças à ex: “Você acha que eu tenho medo de PM?”. Veja vídeo
Novos áudios obtidos com exclusividade pela coluna mostram Bruno Moreira dos Santos fazendo diversas ameaças à vítima
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Em novos áudios obtidos pela coluna, o escrivão da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) Bruno Moreira dos Santos (foto em destaque) aparece ameaçando a então companheira e desdenhando da atuação policial. “Você acha que eu tenho medo de porra de PM?”, diz.
Na sequência, ele passa a ofender a mulher. “Você não vale porra nenhuma. Você não me respeita, desgraçada. Eu te levo lá [na delegacia], eu espero a PM chegar. Você acha mesmo que eu tenho medo de porra de PM?”, diz.
Em outro trecho, ele menciona uma discussão com um segurança. “Quer me matar? Me mate. Eu vou levar dez comigo. Hoje, aqui, agora. Eu vou rindo, igual o capiroto. Quer tentar a sorte? Tenta, caralho. Eu mandei tudo que eu tenho pra casa do caralho”, em referência ao que disse ao funcionário.
O escrivão ainda utiliza um tom de superioridade perante à vítima. “Eu sou homem, filha da puta. Eu sou macho pra um caralho. Eu te levo pra onde você quiser. Se você se matar, o problema é seu. Quer morrer? Morra.”
Entenda o caso
A coluna teve acesso a uma série de áudios que expõem episódios recorrentes de violência ao longo de cerca de dois anos de relacionamento. A reportagem localizou a vítima que, apesar de estar com medo, aceitou conceder entrevista sob a condição de não ser identificada. Ela detalhou a violência vivida durante o relacionamento e pediu justiça.
Segundo a mulher, as agressões verbais e ameaças se intensificavam principalmente quando o escrivão consumia bebidas alcoólicas.
Nas gravações, é possível ouvir o homem em meio a xingamentos: “Eu sou todo errado, porra. Que vida de merda que eu tenho. Eu não valho porra nenhuma. Eu sou um merda. Vai se fuder, filha da puta”, diz, enquanto sons de tiros são ouvidos ao fundo.
De acordo com o relato, a gravação de 13 minutos começou após uma confusão em uma balada no centro de Brasília, quando uma cliente acionou seguranças alegando ter sido empurrada. O escrivão, que estava armado, teria exigido acesso às imagens das câmeras de segurança do local.
Ao deixar o estabelecimento, o servidor teria direcionado a fúria à companheira. No áudio, a vítima implora para que ele não atire, enquanto ele intensifica as ameaças.
Em determinado momento, Bruno afirma que “mata rindo” e volta a ameaçá-la: “Eu mato os outros rindo! Você entendeu essa porra? Eu mato rindo. Eu pego o canivete e arranco o pescoço. Eu arranco no dente, porra; arma é o caralho! Eu corto a cabeça no dente! Eu fico três dias mordendo essa porra no dente!”
À coluna, a Polícia Civil do Distrito Federal informou que o caso é investigado pela Corregedoria. O servidor apresentou uma arma de pressão, conhecida como “chumbinho”, e negou ter utilizado a arma de fogo funcional. A corporação também determinou a retirada do armamento institucional.
