
Mirelle PinheiroColunas

“Arranco sua cabeça no dente”, disse policial civil do DF à ex-mulher. Veja vídeo
Áudios exclusivos obtidos pela coluna mostram ameaças e agressões feitos por escrivão da PCDF contra a então companheira em agosto de 2025
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“Eu arranco no dente, porra; arma é o caralho! Eu corto a cabeça no dente! Eu fico três dias mordendo essa porra no dente!” A frase foi dita pelo escrivão da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) Bruno Moreira dos Santos à então companheira. O episódio resultou em um procedimento que tramita na corregedoria da PCDF.
Áudios obtidos pela coluna, com exclusividade, mostram a discussão entre o casal após uma confusão ocorrida em uma balada conhecida, localizada na área central de Brasília. Na gravação, é possível ouvir uma sequência de disparos, enquanto o policial continua a gritar e insultar a vítima.
Além disso, Bruno faz ameaças de morte e descreve, com detalhes, como cometeria as agressões. Em um dos trechos, afirma que “mata os outros rindo”.
Segundo informou a Polícia Civil do Distrito Federal à coluna, as medidas protetivas foram deferidas e depois revogadas. A Corregedoria da corporação abriu investigação para apurar o caso e verificar se a arma utilizada nos áudios seria de chumbinho — versão esta que foi apresentada pelo policial.
Entenda o caso
A coluna teve acesso a uma série de áudios que expõem episódios recorrentes de violência ao longo de cerca de dois anos de relacionamento. A reportagem localizou a vítima que, apesar de estar com medo, aceitou conceder entrevista sob a condição de não ser identificada. Ela detalhou a violência vivida durante o relacionamento e pediu justiça.
Segundo ela, as agressões verbais e ameaças se intensificavam principalmente quando o escrivão consumia bebidas alcoólicas.
Nos registros do dia 30 de agosto de 2025, é possível ouvir o homem em meio a xingamentos e ameaças: “Eu sou todo errado, porra. Que vida de merda que eu tenho. Eu não valho porra nenhuma. Eu sou um merda. Vai se fuder, filha da puta”, diz, enquanto sons de tiros são ouvidos ao fundo.
De acordo com o relato, a situação que desencadeou a gravação de 13 minutos começou após uma cliente do estabelecimento acionar seguranças, alegando ter sido empurrada. O escrivão, que estava armado, teria exigido acesso às imagens das câmeras de segurança do local.
Ao deixar o local, o servidor teria direcionado a fúria à companheira. No áudio, a vítima implora para que ele não atire e o questiona sobre o motivo da reação. Em resposta, ele a ofende e intensifica as ameaças.
Em determinado momento, Bruno afirma que “mata rindo” e faz novas ameaças: “Eu mato os outros rindo! Você entendeu essa porra? Eu mato rindo. Eu pego o canivete e arranco o pescoço.”
Enquanto gritava, ele efetuou diversos disparos. Os sons dos tiros ficaram registrados na gravação.
Investigação
A PCDF informou que o caso é investigado. Confira a nota na íntegra:
“A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) informa que, ao tomar conhecimento dos fatos envolvendo servidor da instituição, a Corregedoria-Geral adotou de imediato as providências legais cabíveis, instaurando inquérito policial para apuração completa das circunstâncias. O procedimento está em fase de conclusão.
No âmbito administrativo, foi determinada a retirada da arma de fogo funcional do servidor.
Medidas protetivas foram requeridas ao Poder Judiciário, deferidas e, posteriormente, revogadas por decisão judicial.”
