PF faz busca contra Chiquinho Brazão por desvio de emendas
A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 100 milhões em bens e valores dos investigados

O ex-deputado federal Chiquinho Brazão é um dos alvos da Operação Emendatio, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (9/7) para investigar suposto esquema de desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares federais destinadas a organizações da sociedade civil (OSCs) no estado do Rio de Janeiro.
A ação é um desdobramento das investigações que apuram o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Segundo a PF, as diligências policiais identificaram indícios de irregularidades na destinação de recursos públicos por meio de entidades sem fins lucrativos que mantinham contratos e parcerias com órgãos da administração pública federal.
Ao todo, cerca de 60 policiais federais cumprem dois mandados de prisão preventiva e 21 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 100 milhões em bens e valores dos investigados.
Entre os dois mandados de prisão preventiva cumpridos pela Polícia Federal nesta quinta-feira (9/7), um teve como alvo Raphael da Silva Gonçalves, ex-assessor de Domingos Brazão, preso em sua residência, na Barra da Tijuca, zonaoeste do Rio de Janeiro. O outro foi expedido contra Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe, também condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Ele já se encontra preso.
De acordo com a investigação, parte dos recursos oriundos de emendas parlamentares teria sido desviada por meio de pagamentos indevidos, utilização de empresas de fachada e mecanismos destinados a ocultar a origem e o destino do dinheiro.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroA PF também apura indícios de superfaturamento, conluio entre empresas participantes de cotações de preços e execução parcial ou inexistente de contratos firmados com as organizações investigadas.
Os investigados poderão responder pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, além de outros delitos que possam ser identificados no decorrer das investigações.
Quem é Chiquinho
O ex-deputado federal foi colega de Marielle na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Ele foi vereador carioca pelo MDB por 12 anos, incluindo os dois primeiros anos do mandato de Marielle, entre 2016 e março de 2018, quando ela foi assassinada.
Chiquinho foi citado na delação premiada de Ronnie Lessa, assassino confesso de Marielle, o que levou o caso ao STF, já que, à época, ele era deputado federal e tinha foro privilegiado.
Chiquinho e seu irmão Domingos Brazão foram condenados por serem os mandantes do crime contra a ex-vereadora e o motorista Anderson Gomes.
Ambos foram condenados a 76 anos e 3 meses de prisão, além de pagamento de indenizações aos familiares e o bloqueio de bens dos envolvidos.




